Julinho Botelho
* 29.7.1929 + 10.1.2003
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Posição: |
Ponta direita |
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Jogos: |
269 jogos de 1958 a 1967 |
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Gols: |
81 |
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Títulos: |
Campeão Paulista: 1959, 1963 Taça Brasil - 1960 Torneio Rio São Paulo: 1959, 1963 |
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Surgiu no Juventus em 1951, jogou na Portuguesa de Desportos de 1951 a 1955; transferiu-se para Fiorentina onde jogou de 1955 a 1959 e neste ano voltou ao Brasil para jogar pela S.E. Palmeira onde ficou até o encerramento de sua carreira, em 1967. Ponta direita veloz e habilidoso apesar do seu porte físico que se assemelha a um zagueiro.
Em 1966 foi premiado como o melhor jogador da história da Fiorentina.
É considerado o melhor ponta-direita da gloriosa história do Palestra / Palmeiras. |

Campeão Paulista de 1959


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Julinho, talento e Ética
Flecha Dourada - Flecha Dourada, como foi apelidado pelo narrador Geraldo José de Almeida, Julinho havia recusado, no ano anterior, em 1958, o convite do técnico Vicente Feola para integrar a seleção brasileira na Copa do Mundo da Suécia. Elegante, o ponta, titular da Fiorentina, da Itália, justificou afirmando que, como jogava fora do país, sua escalação poderia parecer uma injustiça para com os atletas que atuavam no Brasil. Foi aí que o mundo conheceu Garrincha, fundamental para a conquista do mundial canarinho.
O começo - Mal aproveitado pelo Corinthians quando tinha 19 anos (queriam que ele fosse jogar na ponta esquerda, em vez da direita), Julinho foi logo contratado pelo Juventus, em 1950. Ficou lá apenas seis meses, quando foi para a Portuguesa. Era uma equipe fantástica, onde jogava ao lado de Djalma Santos, Brandãozinho e Pinga, todos atletas de seleção brasileira. Com eles, ganhou o Rio-São Paulo de 1954. Neste ano, o jogador foi com a seleção brasileira disputar a Copa do Mundo da Suíça e, mesmo perdendo nas oitavas-de-final para a Hungria, foi eleito o melhor ponta-direito da competição.
Em 1956 foi para a Fiorentina, onde é reverenciado até os dias de hoje. A equipe nunca havia ganho um título nacional, e com ele venceu a temporada de 55/56, sendo ainda vice dois anos seguintes. Julinho quis voltar para o Brasil, só que a Fiorentina ainda o amava. Ela fez uma proposta irrecusável e ele ficou. Ficou por mais um ano, só pensando em voltar. Por este período ganhou o apelido de "Senhor Tristeza".
Quando voltou em definitivo para o Brasil, veio jogar no Palmeiras, onde atuou de 58 a 67 e ganhou o Campeonato Paulista de 59 e 63, a Taça Brasil (Campeonato Brasileiro à época) em 1960, duas vezes o Rio-São Paulo, em 65 e 67, além da Copa Roca, pela seleção brasileira, em confronto direto com a Argentina, em 1960. Foi no próprio Palmeiras, seu time de coração, que se despediu do futebol.
O caso de amor com a Fiorentina - O clube que o atleta lembrava com mais felicidade, porém, era a Fiorentina. Lá era tratado com tanto carinho pela torcida que, quando morreu, muitas bandeiras da equipe foram enviadas à família, e muitos torcedores do time que viviam em São Paulo compareceram ao enterro. Certa vez, quando andava de trem na Itália, precisou passar a viagem inteira escondido no banheiro para evitar o assédio dos fãs. E o apreço dos italianos por Julinho não parava por aí. Em 2003, quando o já ex-jogador estava internado na UTI em São Paulo, os dirigentes italianos ligavam com freqüência para a família, para saber a respeito de seu estado de saúde.
Rio Branco, na Penha - Depois que parou de jogar, Julinho ainda treinou as categorias de base da Portuguesa, Palmeiras e Corinthians, mas largou tudo para se dedicar ao clube de futebol de várzea que fundou, o Rio Branco, no bairro onde nasceu e morreu, a Penha. Ele morreu de parada cardiorrespiratória dia 10 de janeiro de 2003, no Hospital Nossa Senhora da Penha, em São Paulo, aos 73 anos de idade. Por Luciano Piccazio Ornelas, GE Net |




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Nélson Rodrigues Manchete Esportiva Rio de Janeiro, maio de 1959
Ao ouvir o apupo,, eu fui um pouco oracular para mim mesmo. Imaginei o seguinte vaticínio: - “Julinho vai comer a bola!" Podia parecer uma piada e, no entanto, era uma grave profecia. Eis a verdade: - para o jogador de caráter uma vaia é um incentivo fabuloso, um afrodisíaco infalível. Imagino que Julinho a de ter entrado em campo crispado da cabeça aos sapatos ou, retifico, às chuteiras. Nunca um craque foi tão só. Era um único contra duzentos mil. Mas homem de brio indomável, Julinho aceitou a luta: - bateu-se contra a multidão que o cercava por todos os lados, disposta a crucificá-lo em outras vaias. Mas se nós tínhamos e esquecido Julinho, Julinho não estava esquecido de si mesmo. Foi Julinho em cada um dos 45 minutos, foi sempre Julinho e só Julinho. Em inúmeras ocasiões o que ele fez com o adversário foi pior que xingar a mãe. E o primeiro gol, ah, o primeiro gol! Ele o marcou contra os ingleses, sim, mas também contra os que o vaiaram. Enfiou a bola de uma maneira, por assim dizer, sádica. Jamais houve um gol tão amorosamente sofrido como este. A partir da abertura da contagem, todo mundo passou a reconhecê-lo, todo mundo admitiu para si mesmo:
- "Este é o Julinho !" E era.
Ele não parou mais. Aquela multidão se arremessara contra ele como um touro enfurecido. Pois bem: - ele agarra o touro a unha e lhe quebra os chifres. Então, aconteceu o milagre. O ex-touro brabo, já manso, tornou-se em outro bicho. Sim, amigos: - do primeiro gol em diante, a multidão transformou-se a "macaca de auditório" de Julinho. Se ele apanhava a bola, os duzentos mil espectadores arreganhavam o riso enorme e já gozavam, por antecipação, o que o Julinho iria fazer. Vejam vocês as ironias da vida e do futebol: - de um momento para outro, o vaiado, o apupado, o quase cuspido, transformava-se num triunfador. E, de fato, Julinho foi grande. Nos pés de Julinho a jogada se enfeitava como um índio de carnaval. De certa feita, como um, dois, três, quatro e quase entra com bola e tudo. Imagino que, neste momento, Lord Nelson há de ter perguntado, lá do alto, para o mais próximo companheiro de eternidade:
- "Quem é esse cara ?" O "cara" era Julinho, sempre Julinho.
Assim é o brasileiro de brio. Dêem-lhe uma boa vaia e ele sai por aí, fazendo milagres, aos borbotões. Amigos, cada jogada de Julinho foi exatamente isso: - um milagre de futebol.
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