Djalma Santos
* 17.2.1929 

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Posição:

Lateral direito

Jogos:

498 jogos de 1959 a 1968

Gols:

10

Títulos:

1952 - Torneio Rio-São Paulo
1952 - Campeonato Pan-Americano (seleção brasileira)
1955 - Torneio Rio-São Paulo
1958 - Copa do Mundo (seleção brasileira)
1959 - Campeonato Paulista
1960 - Taça Brasil
1962 - Copa do Mundo (seleção brasileira)
1963 - Campeonato Paulista
1965 - Torneio Rio-São Paulo
1966 - Campeonato Paulista
1967 - Torneio Roberto Gomes Pedrosa
1967 - Taça Brasil
1970 - Campeonato Paranaense (Atlético PR)

 

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Chegou ao Palmeiras como campeão do mundo pela Seleção Brasileira em 1958; titular da Portuguesa de Desportos deste  1949 até ser negociado com o Palmeiras. Permaneceu no clube 10 anos conquistando vários títulos, transferindo-se para o Atlético Paranaense no  final de 1968.


Djalma Santos

Por Antônio Falcão

No Brasil, há o preconceito de não ter preconceito racial. Isso é claro e inconfesso. E está no futebol que é, disparado, o mais retinto dos esportes. Na Copa de 1958, Didi – único negro a jogar desde o início da competição – só entrou porque Moacir, o reserva, também era preto. E, sem base científica alguma, a cartolagem pensava: Os negros não têm controle emocional. Várias vezes, Djalma Santos – o ala que anulou o sueco Skolund, o melhor ponta dessa Copa do Mundo – foi vítima de racismo. Certa vez, em um estádio paulista, alguém o xingou de crioulo sujo. E, quando ele fazia um arremesso manual, o mesmo cretino que o apupara lhe atirou algo, e ao fazê-lo, sem querer, também sacudiu junto um anel. Sereno, Djalma recolheu a peça, foi ao alambrado, entregou-a ao racista e disse sorrindo um elegante “tudo bem”.

Esse paulistano, nascido Djalma dos Santos, em 27 de fevereiro de 1929, fez-se atleta profissional graças a um acidente que o impediu de ser piloto de avião – pelo gosto do pai, que foi soldado de polícia, ele seria militar. Djalma era operário calçadista, estudava à noite para ser aviador civil e batia bola em times do bairro da Quarta Parada, em São Paulo, capital. Mas Santos, como o tratavam, queria mais. E a Portuguesa de Desportos o fez center-half em 48. Dessa posição, ele se deslocou para a lateral-direita com a chegada de Brandãozinho ao clube do Canindé. Outros craques dessa Lusa eram Julinho e Pinga. Em 1952, eles deram ao Brasil o campeonato pan-americano jogado no Chile, um certame nacional de seleções estaduais aos paulistas e o torneio Rio-São Paulo – este, bisado em 55 – à própria Portuguesa do treinador Osvaldo Brandão.

Desde cedo, Djalma se notabilizou como o primeiro brasileiro a fazer da cobrança de lateral um cruzamento – e os atacantes do seu time corriam para a área adversária a fim de escorar o passe, contando sempre com a força de suas mãos. A essa altura, o ídolo negro da Lusa do Canindé já era titular absoluto da lateral-direita na seleção nacional. E aprimorava o saudável hábito de ser um beque ofensivo, indo com prudência, agilidade e precisão ao ataque.

Por isso, em 1954, na Suíça, mesmo com o escrete derrotado, Djalma Santos foi eleito o maior ala do mundo – sendo o único brasileiro a entrar na seleção desse Mundial. E se revelara batedor de pênalti – contra a Hungria, perdendo por 4 a 2, o primeiro gol brasileiro fora dele, de penalidade máxima. Em 58, na Suécia (onde só fez o último jogo – exatamente contra os donos da casa –, foi campeão e escolhido como o lateral-direito da Copa), Djalma esbanjou lealdade, disciplina, saúde e rapidez. Nele, sobretudo, sobressaía a técnica apurada, que o levava a dribles dentro da pequena área, a fazer embaixadas e outros lances de efeito. Para coroar esse 1958, ele casou com Mercedes, que lhe daria uma filha, hoje médica.

Na Lusa, Djalma ainda é visto pela crítica como o craque do clube no século 20. E lá ficou até maio de 1959, data em que se transferiu para o Palmeiras. No Parque Antarctica viveu o auge da carreira. A começar pelo título estadual no ano de estréia. A seguir, em 60, também vencendo a Taça Brasil, feito repetido por ele e o clube em 1967. Assim, quando seu nome foi visto entre os que iam a Copa do Mundo de 62, o povo o escalou para ocupar uma das alas. E o técnico Aimoré Moreira, para trazer o troféu de bicampeão, satisfez a vontade geral. Nessa Copa, pela terceira vez consecutiva, Djalma seria aclamado o lateral-direito do planeta. Com apenas 1,71 m de altura e aos 33 anos, ele era ágil e ótimo no cabeceio, quase não perdendo bolas aéreas. Ainda atuou duas vezes no Mundial de 1966, na Inglaterra, encerrando a estada no escrete em 68, com 98 jogos oficiais – Taffarel e Dunga foram os jogadores brasileiros que mais vestiram a camisa do selecionado nacional, até 2004.

Além desses títulos, eis outros ganhos por Djalma no Palmeiras: os estaduais de 1963 e 66, torneios externos (México e Itália em 63) e nacionais (Rio-São Paulo/65 e Roberto Gomes Pedrosa/67) – este, o atual Campeonato Brasileiro –, sendo vice da Libertadores da América de 60 e 68. Afora Djalma, no alviverde paulistano cintilavam as estrelas de Ademir da Guia, Julinho, Valdir de Moraes e Djalma Dias – nomes que ainda fazem sonhar. De 1959 a 68 – o tempo que ele esteve no Parque Antarctica – existiu a primeira Academia palmeirense, que era de fato a única equipe a se contrapor àquele supertime santista de Pelé, Carlos Alberto, Gilmar, Mauro, Pagão (ou Coutinho) e companhia.

Após a 498ª partida pelo Palmeiras, em 68 Djalma quis parar. No entanto, a pedido do Atlético Paranaense adiou o intento. E foi para Curitiba, onde – com Bellini, seu parceiro de escrete, também em fim de carreira – nesse ano fez-se vice-campeão no Paraná. E em fevereiro de 1971, após fazer rubro-negro o título estadual de 70, parou efetivamente de jogar. Ano seguinte, Djalma Santos foi técnico do próprio Atlético. E a seguir treinou times na Bolívia e no Peru. Pela experiência acumulada, desde então esse treinador viu que os pupilos ideais eram as crianças e aceitou ir para a Arábia Saudita para ensinar futebol aos meninos. O mesmo fazendo na Itália, até a repatriação.

No Brasil, ele só soube o quanto era ídolo depois de ter deixado as canchas. E a partir de uma enquete feita pelo Palmeiras com 10 mil torcedores. Djalma teve quase 75% dos votos como o lateral-direito alviverde de todos os tempos – ficando Cafu com 19% e em segundo plano. Outro reconhecimento: em júri popular, a aguerrida massa atleticana deu a maioria dos votos para fazê-lo o melhor atleta do rubro-negro paranaense no século que passou. E no resto do mundo Djalma Santos até hoje também é lembrado.

Trabalhando com crianças – em especial, carentes –, ele virou funcionário da mineira Prefeitura de Uberaba, onde coordenaria as escolinhas de futebol. Lá, com a eficácia que o identificara, tocou o projeto Bem de rua, bom de bola, reunindo garotos e garotas pobres da cidade. Porém, Djalma condicionando: só joga quem estuda. E nisso residiu o mérito dessa sua lida socialmente gratificante.

Mesmo na velhice, o ex-craque não parou de bater bola. Na folga dos domingos, ele reunia outros coroas para um racha. Após a pelada, pescando no Rio Grande, falava solidário que as relações de trabalho no futebol ainda são de senhor e escravo. Ou dizia causos do seu tempo. Um deles, de 1951, quando caiu de uma mureta no mar de Bósforo, na Turquia, e deu vexame. No entanto, quase não caía em campo, era bem-posto, com preparo físico. E esbanjou disciplina: Djalma Santos jamais foi expulso de campo. Por temperamento e categoria, ele não precisava apelar.
 


Djalma Santos

UOL Esporte

Djalma Santos queria mesmo era ser piloto de avião. Já o pai, soldado da antiga Força Pública paulista, preferia que ele seguisse a carreira militar. Até que um dia, vendo o filho jogar no Internacional (um clube de várzea do bairro paulistano da Parada Inglesa), convenceu-se de que o destino dele era outro. Djalma Santos havia nascido para ser jogador de futebol.

Djalma chegou a fazer testes no Ypiranga e no Corinthians. Mas os horários dos treinos eram incompatíveis com o de seu trabalho como sapateiro. Só ficou na Portuguesa porque o patrão concordou que ele trabalhasse à noite, para compensar as horas perdidas no clube.

No início, Djalma era chamado apenas de Santos e jogava na Lusa de centro-médio (o volante dos dias atuais). Em agosto de 1949, porém, o clube contratou outro jogador para a posição, Brandãozinho, da Portuguesa Santista, na maior transação da época. E Djalma Santos passou para a posição em que se consagraria definitivamente, a lateral-direita.

Uma de suas jogadas características era a cobrança dos arremessos laterais com força, para dentro da área, onde havia sempre um companheiro em boa posição para o arremate. Pela Portuguesa, Djalma ganhou os Torneios Rio-São Paulo de 1952 e 1955. Foram 453 jogos entre agosto de 1948 e maio de 1959, quando se transferiu para o Palmeiras. Ele jogava na Lusa quando foi campeão mundial pela seleção brasileira na Suécia, em 1958.

Foi titular em apenas uma partida - a final, contra os donos da casa, vencida pelo Brasil por 5 x 2 -, substituindo De Sordi, que passara mal. O suficiente para ser considerado o melhor jogador da posição naquele Mundial. Na Copa seguinte, no Chile, em 1962 (quando já era jogador do Palmeiras), Djalma Santos se sagraria bicampeão mundial. Jogaria mais uma Copa, a da Inglaterra, em 1966, e disputaria 100 jogos

No Palmeiras, Djalma Santos também jogou quase dez anos, exatas 498 partidas e dez gols marcados, entre 1959 e 1968, ganhando três títulos paulistas. Quando se preparava para encerrar a carreira, recebeu um convite do Atlético Paranaense e não resistiu. Ao lado do zagueiro Bellini (outro bicampeão mundial) e do ex-santista Dorval, levou o clube do quase rebaixamento, no ano anterior, ao vice-campeonato paranaense de 1968.

Jogou ainda a tempo de ganhar seu último título estadual (o de 1970) pelo rubro-negro, se tornando posteriormente treinador do próprio Atlético. Depois, Djalma Santos se tornou funcionário da Secretaria de Esportes, Lazer e Turismo de Uberaba, em Minas Gerais, onde coordena a escolinha de futebol da cidade.

 


Djalma Santos

Placar Ed. Abril

Djalma Santos foi um mais regulares jogadores do futebol brasileiro. Disputou três mundiais e ganhou dois. Foi chamado pela FIFA para fazer parte do seu selecionado em 1963 no jogo contra a Inglaterra. Disputou quatro campeonatos sul-americanos, participou de vários outros torneios continentais e fez parte da seleção brasileira que levantou o seu primeiro título no exterior, o campeonato pan-americano de 1952 realizado no Chile.

Seu caráter é tão forte quanto era a sua técnica futebolística. Dava o seu sangue em campo pelos times que defendia. No campeonato sul-americano de 1956, Djalma Santos jogou seu rosto contra o pé do uruguaio Borges para impedir o gol adversário. O jogo foi 0 a 0, o Uruguai virtualmente campeão e o Brasil apenas lutava para sair do quarto lugar. Para Djalma Santos, contudo, o que importava era a defesa de sua seleção. Começou na Portuguesa de Desportos onde já demonstrava todo seu potencial como jogador e craque. Palmeiras e o Atlético Paranaense muito têm que agradecer a Djalma Santos pelo exemplo que deixou nesses clubes.

Djalma Santos nasceu no dia 27 de fevereiro de 1929, na cidade de São Paulo. Fez seu primeiro jogo pela Seleção no dia 10 de abril de 1952, em Santiago do Chile, contra o Peru pelo campeonato pan-americano de futebol. Por causa do resultado de 0x0, o técnico Zezé Moreira foi alvo de muitas críticas. Como era Semana Santa, em tudo que era cidade brasileira, Zezé foi malhado como Judas. O Brasil, com Djalma e Zezé, dali em diante, venceu todas, trazendo para o Brasil o primeiro campeonato ganho lá fora.

A despedida de Djalma Santos da seleção aconteceu no dia 9 de junho de 1968. O grande craque entrou em campo somente para receber a justa homenagem. A partida foi contra o Uruguai, no Pacaembu, o Brasil venceu por 2 a 0 e Djalma foi substituído no transcorrer da partida por Carlos Alberto Torres, que viria a ser um digno sucessor do grande craque da nossa seleção.

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