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Ademir da Guia

  • Divino
    Djalma Santos

  • Nome e Sobrenome de Craque
    Aramando Nogueira

  • Divino pela Própria Natureza
    Raul Prates

  • Bolão
    Jogadores

  • O Maior Jogador da História da S. E. Palmeiras
    Torcida que Canta e Vibra

  • Ia, Ia, Ia o Rei é o Da Guia
    Torcida que Canta e Vibra

 


Nascimento de um Mito
Agosto de 1961

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No dia 7 de agosto de 1961, Domingos da Guia entrou eufórico em casa e disse para o filho:
 Você vai jogar no Palmeiras !

 

Imagem cedida por Fernando Razzo Galuppo



    Ademir veio, viu e venceu. Logo no início de sua longa e duradoura  permanência no Palmeiras, encantou a todos com seu futebol límpido, compassado, clássico. Sua personalidade introspectiva mesclava ao indefinível tamanho de seu talento e até mesmo os não envolvidos como esporte.

Sua majestosa presença em campo e a hereditariedade de seu nome inspiraram o lateral-direito, bicampeão mundial, Djalma Santos. Ademir ganhou de Djalma mais do que um apelido, uma definição: "Divino" *

Divino (adjetivo) do latim Divinu: respeitante, pertencente e proveniente de Deus.

*Texto do Livro:  Vida e arte de Ademir da Guia de Kleber M. Souza


Cronologia

  • Ademir Ferreira da Guia

  • 1942: Nasce, no dia 3 de Abril, no Rio de Janeiro - RJ.

  • 1962: Estréia no Palmeiras, no dia 22 de Fevereiro, no jogo Palmeiras 3 x 1 Corinthians.

  • 1963: Conquista o título do Campeonato Paulista.

  • 1965: Conquista o título do Torneio Rio São Paulo.

  • 1965: Estréia na Seleção Brasileira, participando de amistosos contra Bélgica, Alemanha, Argentina, Argélia e Portugal.

  • 1966: Conquista o título do Campeonato Paulista.

  • 1967: Conquista o título do Torneio Roberto Gomes Pedrosa “Robertão” – o Campeonato Brasileiro da época – e da Taça Brasil.

  • 1969: Conquista o título do Torneio Roberto Gomes Pedrosa “Robertão”.
    1972: Conquista os títulos do Campeonato Brasileiro, do Campeonato Paulista e dos Torneios Mar del Plata, Laudo Natel e Cidade de Zaragoza, feito que ficaria conhecido como as “Cinco Coroas”, todos pelo Palmeiras.

  • 1972: Recebe o troféu “Bola de Prata”, da Revista Placar.

  • 1973: Conquista o título do Bi-Campeonato Brasileiro.

  • 1974: Conquista o título do Campeonato Paulista.

  • 1974: Disputa, com a Seleção Brasileira, a Copa da Alemanha, sua única participação em mundiais.

  • 1976: Conquista o título do Campeonato Paulista.

  • 1977: Disputa, em 18 de setembro seu último jogo oficial, uma derrota por 2 a 0 para o arqui-rival Corinthians.

  • 1984: Realiza sua despedida oficial, no dia 22 de Janeiro, num jogo entre amigos, disputado no Estádio do Canindé, em São Paulo.

  • 1986: Recebe homenagem do Palmeiras, ganhando um busto na sede do clube.

  • 2003: É eleito, em Outubro, para o mandato de vereador, na cidade de São Paulo-SP.

  • 2003: Recebe, em Dezembro, o título de Cidadão Paulistano, numa cerimônia da Câmara dos Vereadores, realizada no Clube do Mé, em São Paulo-SP.

  • 2004: Assume, no dia 1º de Janeiro, o mandato de vereador por São Paulo-SP.

 


Conquistas:

  • Títulos do Campeonato Paulista (1963, 66, 72, 74 e 76).

  • Título do Torneio Rio São Paulo (1965).

  • Títulos do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1967 e 69).

  • Título da Taça Brasil (1967).

  • Títulos do Campeonato Brasileiro (1972 e 73).

  • Títulos dos Torneios Mar del Plata, Laudo Natel e Cidade de Zaragoza (1972).

Premiações e Homenagens:

  • Troféu “Bola de Prata”, da Revista Placar (1972).

  • Homenagem da Sociedade Esportiva Palmeiras, ganhando um busto na sede do clube (1986).

  • Título de Cidadão Paulistano, outorgado pela Câmara dos Vereadores da cidade de São Paulo-SP (2004).

  • Poema “Ademir da Guia”, de João Cabral de Melo Neto.

  • Música-homenagem composta por Arnaud Rodrigues e gravada por Moacyr Franco.

Para saber mais:

  • Livro: Divino, A Vida e a Arte de Ademir da Guia; de Kleber Mazziero de Souza, Ed. Gryphus, Rio de Janeiro, 2001.

  • Filme: Um Craque Chamado DIVINO.
    Diretor, Penna Filho, 2006

 

O Filho do Divino

                                                     Letra e música  - Arnaud Rodrigues - 1977

                                                     Gravada por Moacir Franco -   +download

 

Obrigado Domingos
Pois que deste ao mundo
Um filho Divino
Dez de ouro de lei
Do quilate mais fino
E assim quis o destino
Que as passadas do pai
O filho fosse o seguidor
Na passada sublime
Seus cabelos de fogo
São fios de vime
Ele é filho do mestre
Do mostro de um time
Que o mundo define
Como um criador
Dos verdes campos mundiais
Entre urros e gritos
Humilde rei
E seu nome entre os mitos
Eu cantarei
Força nos pulmões
Vibrem corações
Torçam com os passes
Deste Mágico Divino
Igual ao pai
Porque hoje é domingo
Ele faz o que fez
Em mil outros domingos
Ele pisa na grama
E ela fica sorrindo
E um gol explodindo
Obrigado Domingos
Por nos dar um novo Guia.

                                                   


O Divino Mestre Verde

Por Raul Prates


A timidez o impediu de ser um astro, mas não um craque. Assim, na minha também modéstia, defino o meia Ademir da Guia, que comemorou 60 anos no início do mês.

 

Sua paixão é o Palmeiras, clube que defendeu entre 1961 a 1977, Divino, que herdou este nome por conta do pai: o Divino Domingos da Guia. O jornalista Armando Nogueira o definiu em poucas e precisas palavras: "nome, sobrenome e futebol de craque".

 

Ademir era dono de um estilo refinado, elegante, de passadas largas, parecia que bailava no gramado. Um maestro de uma Academia de craques. Sobrava técnica e capacidade. Até mesmo eu um botafoguense não esqueço de uma bela formação palmeirense: Leão, Eurico, Luis Pereira, Alfredo e Zeca, Dudu e Ademir da Guia; Edu Leivinha, César (o Maluco) e Nei. Tempos inesquecíveis de belo futebol. Não dava carrinhos, não cometia muitas faltas, depois de Pelé, o mais tecnicamente completo.

Era o 10, um jogador respeitado por todos este titular absoluto do Palmeiras por quase 17 anos (901 jogos e 153 gols). Veio do Bangu-RJ, em 1961, ainda menino, até encerrar sua carreira, em 1977. Ademir da Guia, este meia extraordinário, se tornou mais do que o maior jogador do Palmeiras em todos os tempos; ele é o próprio Palmeiras, encarnado e personificado em seu talento e seu caráter. Um jogador como ele, que disputou a Copa do Mundo de 1974, só poderia mesmo ser chamado de Divino. Zagalo, meu querido, trocá-lo por Mirandinha! Ademir da Guia é e sempre será Divino pela Própria Natureza.

 

A passada de Ademir da Guia era larga e precisa. Garboso e com o corpo ereto, o meia não baixava a cabeça para correr nem para chutar ao gol. Era firme e sereno. E assim é até hoje, aos 60 anos, fora dos gramados. Fala pausada, Ademir rememora com saudade os momentos que viveu na Copa de 1974. Lamenta não ter conquistado o tetra, mas sabe que contribuiu com sua destreza: tanto na Seleção quanto no Palmeiras, equipe com a qual conseguiu 11 títulos. Ídolo do time alviverde, ele foi homenageado com um busto no Estádio Palestra Itália. Pela Seleção, jogou nove partidas oficiais e não marcou nenhum gol. Mas ele não lamenta por não ter conseguido conferir um tento pela Seleção.


"As qualidades técnicas do Zequinha, que é o titular, são superiores às minhas. Porém, tenho comigo o que penso ser meu maior trunfo: a força de vontade. Com ela, posso vencer tudo que possa vir a impedir que me torne um grande craque".


 


Ademir da Guia, em 1963, antes de se tornar titular e ser premiado como o melhor jogador do Palmeiras que foi o campeão paulista do ano.



Ele tinha facilidade para fazer jogada muito difícil: dominava a bola alta que vinha de frente, com a perna esticada. Ele pegava ela no ar, e parece que a bola grudava no pé dele. Tinha elegância, o toque refinado, uma visão de campo impressionante. Sua colocação era perfeita. Ele parecia estar em todos os lugares do campo", diz o ex-atacante Leivinha, companheiro de Ademir da Guia no Palmeiras e na seleção que disputou a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha.

Apesar de ser ídolo no Palmeiras, Da Guia teve poucas participações na seleção brasileira. Sua primeira chance apareceu apenas em 1965. Sob o comando de Vicente Feola, Da Guia foi titular da seleção em três partidas amistosas (vitórias de 5 a 1 sobre a Bélgica e 2 a 1 sobre a Alemanha e empate em 0 a 0 contra a Argentina).

No quarto jogo, foi substituído por Feola aos 20min do primeiro tempo, quando o Brasil já vencia a Argélia por 3 a 0 (definitivamente, eram outros tempos). Em seu lugar, entrou Gérson, o preferido da imprensa esportiva do Rio de Janeiro, à época muito influente junto a CBD (que comandava a seleção brasileira). Da Guia não seria convocado novamente para a seleção até 1974, ou seja, nove anos depois.

Na Copa de 74, apesar de estar no auge de sua forma física e técnica, mesmo aos 33 anos, não ficou nem no banco de reservas em todas as partidas -exceto na disputa do terceiro lugar contra a Polônia. Conta o livro que, no dia da partida, os jogadores almoçavam na concentração da seleção. Ademir da Guia, já conformado com sua ausência no time, repetia a sobremesa quando foi avisado por um auxiliar de Zagallo (o técnico da seleção à época) de que jogaria a partida à tarde, poucas horas depois.

Mesmo sem atuar por cerca de dois meses (tempo da preparação da seleção e dos dias de Copa já decorridos), Da Guia foi um dos melhores da seleção no jogo. Inexplicavelmente, foi substituído logo no início do segundo tempo. Questionado pela imprensa, revoltada com a derrota, Zagallo alegou que Da Guia pedira para sair. Elegantemente, o jogador confirmou a versão -falsa. Mais tarde, receberia uma mensagem do preparador físico Admildo Chirol, em que Zagallo mandava agradecer por ele não ter criticado sua substituição.

UOl - Esporte


"A gente brincava de 'bobinho' nos treinos e tentava fazer o Ademir ir para o meio. Todo mundo tocava para ele com efeito, mas não tinha jeito. Do jeito que a bola viesse ele dominava. Eu não me lembro de uma única vez em que o Ademir tenha ido para o meio da roda."

 

 




Leivinha, ex-jogador, jogou com Ademir no Palmeiras e foi à Copa de 1974.


O Falso Lento

Com suas passadas largas e ritmo cadenciado, ele parecia jogar em slow motion. Só que não era bem assim...

Nem Pelé usaria tão bem aquela camisa 10 verde quanto Ademir da Guia. E aqui não cabe discussão. Adeptos incondicionais da controvérsia, os torcedores do Palmeiras só são capazes de ser unânimes em duas coisas na vida: no ódio ao Corinthians e no amor a Ademir da Guia. Tamanha reverência poderia ser explicada pela longevidade (16 anos de Parque Antártica) ou pela quantidade de títulos oficiais (12 conquistas –incluindo cinco Paulistas e dois Brasileiros). Mas o talento de Ademir vai além das simples estatísticas.

Filho de Domingos da Guia, um dos maiores zagueiros do Brasil em todos os tempos, começou a jogar no infantil do Bangu, mas foi levado ao Palmeiras logo no começo dos anos 60. Assinou seu primeiro contrato em agosto de 1961, três dias antes do aniversário do clube. Um presente e tanto. Ele parecia lento com suas passadas largas, mas o ritmo da equipe estava sempre acelerado. Em meio à Era Pelé, só o Palmeiras de Ademir conseguia beliscar títulos. Foi assim em 1963 e 1966. Quando o Santos perdeu fôlego, o Palmeiras se tornou o melhor time do Brasil.

O sucesso que teve no Palmeiras, porém, nunca encontrou equivalência fora do Parque Antártica. Foi convocado escassas 12 vezes para a Seleção Brasileira e seu único Mundial foi o de 1974, quando passou todo o tempo no banco de reservas e só entrou na última partida, a decisão de terceiro lugar contra a Polônia. Foi substituído e o Brasil perdeu. Mágoa? Talvez, mas Ademir é um cavalheiro e diz que do futebol só guardou felicidade.

Não ficou rico, mas teve o reconhecimento da torcida do Palmeiras. É um dos raros jogadores a ganhar estátua no Parque Antártica. "Sem Ademir da Guia o Palmeiras é menos Palmeiras", definiu o treinador Rubens Minelli ainda nos anos 60.

Revista Placar


"O preço que vocês pagaram, não é o que vale só uma das pernas dele !"

 

 

 

 

 



Freitas Solich, técnico do Flamengo, em 1961, dirigindo-se a um dos diretores do Palmeiras, que acabara de comprar Ademir da Guia do Bangu



ADEMIR DA GUIA... A Herança Divina

 

No bairro carioca de Bangu, quando aquele menino de 7 anos, sarará, magro e tímido passava, diziam: "É filho de Domingos, o que acaba de findar a carreira. Esse moleque talvez seja o único da Guia a não bater bola, pois só pensa em natação". E recitavam os craques do clã: Luís Antonio, zagueiro banguense de 1912, Ladislau e Mamédio, chegando a Domingos da Guia, o Divino Mestre, caçula dos irmãos e mais famoso, cuja trajetória o Brasil e o resto do mundo conhecem muito bem.

 

De fato, Ademir da Guia, nascido em 3 de abril de 1942, até os 10 anos só pensava em piscina, onde conquistara troféu pelo Bangu Atlético Clube. Porém, vieram as peladas de rua e eis que o filho do Divino Mestre passa a jogar com os guris num time chamado Céres. Em 1956, ele se incorporou ao infantil do Bangu, onde ficaria até o ano seguinte. Já inclinado a ser um armador, seus ídolos nessa fase eram Dequinha e Rubens, apoiadores do Flamengo e reservas brasileiros na Copa do Mundo de 54. Em 58, Ademir teve breve passagem no juvenil do Botafogo e voltou ao Bangu, onde essa categoria era treinada por Elba de Pádua Lima, Tim. A partir daí, aos poucos o filho de Domingos e Erotildes esquecia a piscina e se doava ao futebol. Com feeling, Tim, vendo nele elegância, toque refinado de bola, visão de campo, bom posicionamento, senso de equipe e extrema lealdade - além da grife no sobrenome da Guia -, deu-se conta que tinha em mãos uma pedra preciosa. E decidiu lapidá-la devagar. Só que Domingos, com o mesmo entendimento sobre o filho, ofereceu-o ao Santos, onde Pelé iniciava o reinado. Mas por divergência salarial o rebento de da Guia não virou santista. E pelo Bangu foi campeão juvenil carioca em 1959.

 

Em março de 60, a sua performance levou-o aos treinos da seleção brasileira de amadores que ia jogar o Pré-Olímpico no Peru, visando a Olimpíada de Roma. Na triagem, ele foi preterido - mas Gérson estava entre os que viajaram. Por sorte de da Guia, Zizinho, o grande Mestre Ziza, assumiu a direção do profissional banguense e não hesitou em escalá-lo para vencer o torneio de Nova Iorque - batendo, inclusive, o italiano Sampdoria por 4 a 0. No início do ano seguinte, antes de voltar aos Estados Unidos para fazer o mesmo torneio, o Bangu jogou em Portugal e Espanha. Nessa ocasião, o Barcelona quis comprar Ademir por 16 mil dólares e não teve resposta do Bangu. Em agosto, Domingos negociou o passe do filho com o Palmeiras, fato que fez um presidente banguense blasfemar: "Vendemos um bonde"... Pois é, por ironia do destino, esse bonde seria o maior ídolo do paulistano clube do Parque Antarctica.

 

No primeiro ano alviverde, da Guia atuou nos aspirantes e só em dezembro fez amistoso no time principal. A seguir, com a dupla de meio-de-campo palmeirense, Zequinha e Chinezinho, nos treinos da seleção brasileira que ia à Copa do Mundo, ele jogou bem mais no grupo de cima. E em 63, além de campeão nos aspirantes, da Guia foi ainda aproveitado no profissional, vencendo o certame paulista. Com justiça, nesse 1963 ele seria considerado pela imprensa o melhor jogador de São Paulo. À época, a afinada equipe alviverde passou a ser tida como "Academia". E não faltou quem dissesse que Ademir era lento, confundindo o seu estilo de jogo cadenciado - mas de passadas largas - com vagareza. Em protesto, claro, houve quem respondesse que ele parado fazia mais em campo que os velocistas a correrem inutilmente.

 

Com a ida de Chinezinho, o camisa 10, para a Itália, abriram-se de vez as portas do clube para Ademir. E, feliz por ter da Guia ao seu lado, o lateral Djalma Santos passou a chamá-lo de "Divino", o que é mais definição que apelido. (A rigor, a divindade dele era de nascença, herança paterna). Coroando o início do estrelato, da Guia em 64 recebeu o parceiro Dudu, volante que com ele formara o centro irradiador de talento da equipe paulistana nos anos 60 e 70. A partir disso, o Divino foi lembrado pela mídia de São Paulo para integrar a seleção nacional. E no campeonato paulista a Academia, regida pela técnica de Ademir, passava a ser a única força a fazer face à inegável supremacia do Santos. Quando veio 65, o meia alviverde comemorou vitórias do clube nos torneios IV Centenário, do Rio de Janeiro, e Rio-São Paulo. Para ele, também fora festivo as 6 partidas que fez na seleção brasileira, sendo uma delas com o Palmeiras representando o País, vencendo o Uruguai por 3 a 0 no Mineirão, sob as ordens de Filpo Nuñes - único técnico estrangeiro do escrete nacional. Contudo, nesse ano, o que de melhor ocorreu para o Divino da Guia foi conhecer uma moça chilena em uma excursão do Palmeiras. Na verdade, ela lhe tocou o afeto com a doçura e a leveza com que Ademir costumava tratar a bola.

 

De peito amoroso em brasa, ele foi campeão paulista em 66. E venceu a Taça Brasil e o torneio Roberto Gomes Pedrosa (Robertão) de 67, quando casou pela primeira vez - união da qual teve 2 filhos, que se irmanariam ao do segundo casório. Venceu ainda outro Robertão (69), os estaduais de 72, 74 e 76, o Campeonato Brasileiro de 72 e 73, os torneios Ramón de Carranza (69, 74 e 75), Cidade de Saragoza (72) e Mar Del Plata (72), dentre outros. (Em 1972, a revista Placar o distinguiu com o troféu Bola de Prata). À seleção da Guia voltou ainda em 1974 - quando fez só um tempo contra a Polônia, decidindo o 3º lugar no Mundial realizado na Alemanha - e 76, completando assim 12 participações com a camisa canarinho.

 

Aos 33 anos, ele queria jogar mais quatro. Para tanto, estava em forma, tonificado e se aplicando nos treinamentos físicos. Foi quando em 1975, em um amistoso em Manaus, de repente Ademir sentiu a primeira crise de falta de ar. Adiante, outros tormentos respiratórios vieram abatê-lo. Em 76, já dono do passe, o meia recebeu propostas dos Corinthians, Guarani e Monterrey mexicano, mas preferiu continuar alugando a força de trabalho ao Palmeiras. Contudo, sentindo-se mal em setembro de 77, jogando com o Corinthians, o Divino capitão palmeirense pediu para sair no intervalo e desde então jamais voltou a atuar como profissional. Ao longo de toda a carreira, ele fez 901 partidas e 153 gols.

 

Com o fim da Era Ademir acabara a Academia que deliciou a vida por 12 anos. E nos estádios, em escala universal, há a certeza que ninguém demonstrava mais elegância que esse craque no toque de bola. Por isso, ele é poema ("Ademir da Guia") de João Cabral de Melo Neto - um nome na literatura brasileira -, estátua na sede do Palmeiras, memória merecida dentro e fora do Brasil. Sobre da Guia, escreveram na espanhola cidade de Cádiz: "É uma espécie de violonista que mostra um sorriso de uma suavidade desconhecida no futebol de hoje". Assim, não é exagero afirmar que o Divino Ademir foi - em todos os tempos - quem mais aproximou esse espetáculo artístico e esportivo apaixonante da dança, da música e da escultura.

 

Nota: Este texto é um dos capítulos do livro de Antonio Falcão, "Os Artistas do Futebol Brasileiro"


"O jogador brasileiro que tem o maior número de jogos num único clube é Pelé pelo Santos - 1114 partidas, seguido de Ademir da  Guia, no Palmeiras  -  901 partidas*."

 

 

 

* 509 - Vitórias

   234 - Empates

   158 - Derrotas

É o terceiro maior artilheiro do Palmeiras com 153 gols.

 


Pelé  versus  Ademir da Guia

Autor. A.Drummond

 

É possível comparar-se Ademir da Guia e Pelé ?

Sou convicto de que a comparação é possível,  partindo-se da premissa de que os dois foram super craques, cada qual em sua função.

Há quem diga que Pelé, mais do que um craque, foi o "Deus" de todos os estádios, em dimensão mundial e isso é verdade. Mas não é menos verdade que Ademir também o foi, embora um "Deus" verde, essencialmente brasileiro, e, muito antes de Pelé ser proclamado "Deus", ele já o era, por sangue, estirpe e categoria, chamado de Divino.

Se Pelé foi o escultor dos gols monumentais, das grandes arrancadas e das jogadas mirabolantes, Ademir foi o artesão do jogo simples, eficiente, vistoso e vitorioso de um Palmeiras que, a exemplo do Santos de Pelé, também ganhou títulos em profusão.

Se Pelé  foi ritmo alucinante tal e qual o rock and roll,  Ademir marcou o implacável ritmo de chumbo da Academia palmeirense e foi a valsa vienense de rara beleza e melodia

Pelé foi nervos, músculos, inteligência, catimba, ginga, habilidade, velocidade, genialidade e uma grande dose de maldade, tudo em perfeita simbiose.

Ademir foi fleuma, resistência, clarividência, habilidade, aplicação, elegância e virtuosismo. Ninguém foi mais elegante no jogo do que ele. Nem na forma de atuar, altaneiro e sempre de cabeça erguida, nem no comportamento. Ele foi Mister da Guia, um "gentleman" jogando futebol.

Pelé sempre foi vaidoso e um grande marqueteiro dentro e fora do campo, fazendo repercutir os seus feitos e conquistas, usando com inteligência a mídia.
Sempre foi humilde por conveniência não por convicção.

Já Ademir era introvertido e recluso, pouco ligado ao marketing incipiente da época e à publicidade pessoal. Sua modéstia e humildade eram exemplos para qualquer convento franciscano em um time no qual ele, embora a maior estrela, abdicou da liderança para seu fidelíssimo e inesquecível companheiro de meia-cancha, o extraordinário Dudu, o "general quatro-estrelas" da Segunda Academia.

Sei que, em contexto global, ninguém, diria que Ademir foi melhor do que Pelé. Mas eu vos digo que se ganhasse no par ou impar de uma pelada e fosse o primeiro a escolher entre Pelé e Ademir da Guia, eu escolheria o segundo. Não apenas por ser ele o emblema do time que mais derrotou o Santos - e Pelé - em toda a história, mas, principalmente, porque sou e serei, fiel - no sentido palmeirense da palavra - e eternamente grato ao Divino Mestre que me proporcionou tantas e imorredouras alegrias.
 

 


Meu jogo Inesquecível  -  Ademir da Guia 

O maior craque da história do Palmeiras vestiu a camisa alviverde por quase vinte anos. E nenhuma partida mexeu tanto com seus nervos quanto a decisão de 1974. Foi o dia em que o Divino comandou o Verdão para silenciar a nação corinthiana.

E Ademir da Guia se lembra muito bem daquele dia.
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“Na chegada ao estádio, tudo se repetia como em todos os meus outros finais de semana. Desci do ônibus, onde ocupei o mesmo banco de sempre (o segundo do lado direito), passei pelo saguão e entrei no vestiário. O ritual, ali dentro, também seguiu o procedimento normal. Detalhes rigorosamente iguais aos de um jogo comum. O nervosismo que tomava conta dos jogadores, no entanto, denunciava: a partida era muito especial. O Corinthians não ganhava um titulo desde de 1954. Por isso, entrou em campo como se partisse para uma guerra. Nós, palmeirenses, também estávamos muito motivados, por se tratar de um jogo contra o Corinthians. Não apenas pela rivalidade, mas principalmente porque, do outro lado, estava nosso adversário mais forte naquele ano. E jogar contra times de qualidade é sempre agradável. E enfrentar o Corinthians em uma decisão era muito especial. Pouco antes de entrar, nosso capitão Dudu ainda veio conversar comigo, como acontecia na maioria das partidas. Ele era uma espécie de técnico dentro do campo. Gritava e orientava cada um dos companheiros. Subimos os degraus que dão acesso ao gramado do Morumbi e, quando concluímos a caminhada, avistamos a multidão. Eram 120 mil torcedores, 70% dos quais torciam pelo Corinthians. Pior, todos estavam enlouquecidos para ver o alvinegro voltar e ser campeão. Não como negar que uma torcida favorável ajuda uma equipe de futebol. Mas o Palmeiras possuía uma imensa vantagem. Estava acostumada a participar de muitas decisões. Havíamos conquistado os títulos paulista e brasileiro de 1972 e o bicampeonato paulista em 1973. Tínhamos duas ausências: Eurico machucado e César suspenso. Nós éramos como a imprensa dizia – A Academia de Parque Antártica”.

E o tranqüilo Ademir da Guia começou a falar sobre o jogo propriamente dito.

“Sentíamos claramente que os jogadores do Corinthians estavam nervosos dentro do gramado. Mesmo assim, houve dificuldades durante a partida. Tentávamos cumprir as determinações básicas do técnico Osvaldo Brandão. O ponta esquerda Nei ficava em cima de Zé Maria impedindo que ele fosse ao ataque. Luis Pereira evitava avançar demasiadamente como costumava fazer. A partida estava muito igual. Não havia erros nem de um nem do outro. A marcação era rígida. Tentava me livrar abrindo espaços para os dois lados. Quando caia para a esquerda, lá estava o Tião no meu encalço. Quando voltava um pouco e vinha para a direita, quem se aproximava de mim era o Rivelino. Era um duelo difícil. Porém eles precisavam mais da vitória. Ninguém queria ser vice campeão, principalmente nas condições em que o Corinthians se encontrava. Então, repentinamente, uma cobrança de faltas violenta do Rivelino acertou a cabeça do Dudu, na barreira. Ele caiu desmaiado e saiu de campo. Poucos minutos depois, estava de volta ao gramado. Se fosse um jogo comum, provavelmente não retornaria. Por isso, a visão do capitão á beira do campo pedindo para entrar mexeu com nossos brios. Ficamos ainda mais determinados em busca da vitória”.

E veio a parte que mais emocionou Ademir.

 “Então veio o gol. O cruzamento do Jair Gonçalves encontrou Leivinha, que subiu mais do que toda a defesa e cabeceou. A bola caiu exatamente no pé direito do Ronaldo. O chute saiu forte, indefensável, no canto esquerdo de Buttice, goleiro argentino do Corinthians. Na verdade, foi esse o diferencial daquele jogo. O gol. O Vaguinho, ponta direito alvinegro, costuma reclamar até hoje, alegando que a chance do empate foi desperdiçada nos momentos finais, em um chute dele próprio. Um fator que contribuiu para dar um gosto especial àquela vitória, é que houve muito equilíbrio. Costumam dizer que a festa palmeirense não teve muita emoção, devido à presença de milhares de corinthianos, tristes e calados no Morumbi. Não é verdade. Os jogadores comemoraram demais. Uma emoção incalculável. Prova disso é que vários atletas foram ao Parque Antártica comemorar junto com a torcida mais um titulo para o Palmeiras. Eu preferi ficar em casa. A noite ainda assisti o vídeo-teipe da partida. Tudo funcionava como se eu acabasse de participar de apenas mais uma, entre as muitas partidas da minha vida. A vitória contra o Corinthians, a faixa de campeão e tudo o que se passou dentro do campo, no entanto, garantiam que aquele tinha sido o melhor de todos os jogos”.

Dia 22 de dezembro de 1974 – Palmeiras 1 x Corinthians 0.
Gol de Ronaldo.
Local: Morumbi.
Publico: 120.522 torcedores.
Juiz: Wanderley Boschilia.
Palmeiras: Leão. Jair Gonçalves. Luis Pereira. Alfredo e Zeca. Dudu e Ademir da Guia. Edu. Leivinha. Ronaldo e Nei.
Técnico: Oswaldo Brandão.
Corintians: Buttice. Zé Maria. Brito. Ademir e Wladimir. Tião e Rivelino,. Vaguinho. Lance. Zé Roberto (Ivã) e Adãozinho.
Técnico: Sylvio Pirilo.

Depoimento dado ao Museu do Esporte


Dentre os nomes que passaram pela equipe alviverde de futebol, sete  imortalizaram-se pela sua grande permanência no clube, pela dedicação,  amor à camisa, pela alta capacidade técnica e profissional:

  •  Bianco S. Gambini - 1914 a 1931

  • Heitor M. Domingues - 1916 a 1931

  • José Junqueira de Oliveira - 1931 a 1945

  • Eduardo Lima - 1938 a 1954

  • Oberdan Cattani - 1941 a 1955

  • Waldemar Fiume - 1941 a 1956

  • Ademir da Guia - 1961 a 1978

Texto de Walter Pellegrini



Seleção Brasileira

Como podemos afirmar que Ademir da Guia 
não foi um jogador de Seleção Brasileira se:


Jogou 9 partidas oficiais

02 / 06 / 1965  -  Brasil 5 x 0 Bélgica

06 / 06 / 1965  -  Brasil 2 x 0 Alemanha Ocidental

09 / 06 / 1965  -  Brasil 0 x 0 Argentina

17 / 06 / 1965  -  Brasil 3 x 0 Argélia

24 / 06 / 1965  -  Brasil 0 x 0 Portugal

07 / 09 / 1965  -  Brasil 3 x 0 Uruguai*
*Palmeiras representou o Brasil - Inauguração do Mineirão

Deixou de ser convocado por 9 anos.

31 / 03 / 1974  -  Brasil 1 x 1 México

07 / 04 / 1974  -  Brasil 1 x 0 Tchecoslováquia

06 / 07 / 1974  -  Brasil 0 x 1 Polônia

Jogou 5 partidas não oficiais

19 / 12 / 1973  -  Brasil 2 x 1 Comb. Estrangeiro

03 / 06 / 1974  -  Brasil 5 x 2 Seleção Basiléia

02 / 06 / 1976  -  Brasil 1 x 1 Resto do Mundo

06 / 06 / 1976 -   Brasil 2 x 1 Resto do Mundo

06 / 10 / 1976  -  Brasil 0 x 2 Flamengo

Como podemos observar estes jogos não foram "amistosos" e sim "festivos"

Nós do site PALESTRINOS, acreditamos que é leviandade afirmar que Ademir da Guia não foi um jogador de seleção só por não ter tido o reconhecimento dos técnicos que passaram pela CBD / CBF. É impossível imaginar que um jogador de qualidades indiscutíveis, que durante o período de 1962 a 1974 jogou mais de 90% das partidas disputadas, artilheiro [153 gols pelo Palmeiras], ganhou 4  Paulista, 2 Roberto Gomes Pedrosa "Robertão", 2 Brasileiro, 1 Taça  Brasil, 1 Rio-São Paulo e  ser unanimidade entre os palmeirenses; não tenha sido convocado mais vezes. Acreditamos também, que tenha faltado respeito e isenção dos críticos e técnicos para com o Divino. Pois, jogador desta magnitude não poderia ter atuado só nove partidas pela Seleção Brasileira*.

Ademir da Guia não fez nenhum gol pela seleção. 

Ainda bem...  Ela não merecia.

*Ademir foi convocado 2 vezes: 1965 e 1974

 

 

  

 


Súmula do Último Jogo do Divino

Palmeiras 1 x 2 Seleção Paulista

 

Palmeiras: Leão (Martorelli), Nenê (Ditinho), Luiz Pereira (Márcio), Vagner (Vagner Jr) e Carlão (Denys). Rocha (Fausto), Ademir da Guia (C.A. Borges) (Aragonês) e Jorginho. (Cléo), Robertinho, (Hélio), Baltazar (Reinal-do) e Eugênio (Carlos Henrique) Téc. Fedato.

 

Sel. Paulista: Waldir Peres, Mauro, Oscar, Gassem e Odirlei. Lino, Luizinho e Rivelino. Paulo Isidoro (Jorge Mendonça), Serginho e
Zé Sérgio. Téc. César Lemos.

 

Domingo,  22/01/1984  - 10:40 h (manhã)

Local: Canindé  -  São Paulo - SP

Juíz: Roberto Nunes Morgado

Público: 9.785   -  Renda: CR$ 12.430.500,00

Gols: Serginho, Jorginho e Jorge Mendonça.

 

 

 


Filme faz justa homenagem a Ademir da Guia, o Divino

 

Ele passeava pelo campo com a elegância de um Ismael Silva, de um Ataulfo Alves. Jogava como que vestido a rigor. Dominava a bola como poucos e a escondia dos marcadores. Impunha seu ritmo, que os fariseus diziam lento. E, quando o adversário acreditava nesse mito da lentidão, já era tarde – a bola estava no fundo das redes ou no pé de um companheiro bem colocado para marcar. Jogou 901 partidas pelo Palmeiras, ganhou estátua no Palestra Itália e João Cabral dedicou-lhe um poema. Faltava só um filme em sua homenagem. Não falta mais. O cineasta Penna Filho acaba de tirar a primeira cópia de “Um Craque Chamado Divino – Vida e Obra de Ademir da Guia”.

A pré-estréia do documentário, no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, foi transformada em paraíso para palestrinos nostálgicos dos bons tempos da Academia. Além de Ademir, estavam seu eterno companheiro de meio-campo, Dudu, o mitológico goleiro Oberdan Catani, o centroavante César. Todos para reverenciar o Divino, que se emocionou com o filme, mas, fiel ao seu estilo, conteve-se.

Oberdan, depois da sessão, disse que filmes como esse são muito bons. “Mas há tão poucos deles...”, lamentou. O velho goleiro, integrante do dream team palmeirense de todos os tempos, disse que Ademir ainda é privilegiado pois tem registradas suas imagens jogando. Dele, Oberdan, não restou nada. Só imagens de entrevistas. Só a memória. Oberdan põe a culpa nos incêndios das emissoras, que devastaram arquivos preciosos: “Pegou fogo em tudo...”.

O volante Dudu também gostou e disse que filmes como o de Ademir são importantes “para a molecada de hoje ver como se jogava naquele nosso tempo”.

E como se jogava... Como disse o narrador Fiori Giglioti, “naquele tempo o palmeirense ia ao estádio com a certeza de que seu time ia jogar bem; podia até não ganhar, mas havia categoria em campo.”

Mas as imagens são a prova dos noves. E, aí, o diretor Penna Filho dá razão aos ex-jogadores – é difícil encontrar bons registros dos jogadores veteranos. “Eu gostaria de ter feito um filme com menos depoimentos e mais jogadas do Ademir, mas usamos o que foi possível”.

E o que foi possível já é muito bom. Vemos cenas de alguns gols antológicos do Divino, das suas passadas em campo, o domínio de bola inigualável. E, sim, a preparação de jogadas para os companheiros, aquelas bolas com mel e açúcar, redondinhas, prontas para o gol. Num dos lances que levantaram a galera durante a exibição do filme, Ademir domina na entrada da área, tira um zagueiro da jogada, equilibra a bola no peito do pé, e levanta, à meia altura, como se fosse com a mão, para um companheiro encher o pé e marcar.

O repertório de Ademir como artilheiro também é variado – há gols de pé direito e de pé esquerdo. De cabeça e de falta, cobrada com três dedos. Escorando cruzamentos na área, matando a bola no peito, escondendo-a do adversário e arrematando. Fez 153 gols, em 16 anos, pelo Palmeiras.

Aliás, com exceção do início no Bangu, o Palmeiras foi seu único time. Por essa constância, também, além da categoria de mestre, é o ídolo maior do Palestra Itália.

Nota: Texto O Estado de São Paulo, Luiz Zanin - 8/8/2006

 


 
 




Ademir da Guia


Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líquido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o.

Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário.

 

 

 

João Cabral de Melo Neto

Publicado no livro Museu deTudo (1975).

 

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José Victor M. Oliveira e José E. Filho