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ampliar .
No
dia 7 de agosto de 1961, Domingos da Guia entrou eufórico em casa e disse para
o filho:
Imagem cedida por Fernando Razzo Galuppo |
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Sua majestosa presença em campo e a hereditariedade de seu nome inspiraram o lateral-direito, bicampeão mundial, Djalma Santos. Ademir ganhou de Djalma mais do que um apelido, uma definição: "Divino" * Divino (adjetivo) do latim Divinu: respeitante, pertencente e proveniente de Deus. *Texto do Livro: Vida e arte de Ademir da Guia de Kleber M. Souza |
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Cronologia
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Conquistas:
Premiações e Homenagens:
Para saber mais:
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O Filho do Divino Letra e música - Arnaud Rodrigues - 1977 Gravada por Moacir Franco - +download
Obrigado Domingos
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Por Raul Prates
Ademir era dono de
um estilo refinado, elegante, de passadas largas, parecia que bailava no
gramado. Um maestro de uma Academia de craques. Sobrava técnica e
capacidade. Até mesmo eu um botafoguense não esqueço de uma bela formação
palmeirense: Leão, Eurico, Luis Pereira, Alfredo e Zeca, Dudu e Ademir da
Guia; Edu Leivinha, César (o Maluco) e Nei. Tempos inesquecíveis de belo
futebol. Não dava carrinhos, não cometia muitas faltas, depois de Pelé,
o mais tecnicamente completo.
A passada de Ademir da Guia era larga e
precisa. Garboso e com o corpo ereto, o meia não baixava a cabeça para correr
nem para chutar ao gol. Era firme e sereno. E assim é até hoje, aos 60 anos,
fora dos gramados. Fala pausada, Ademir rememora com saudade os momentos que
viveu na Copa de 1974. Lamenta não ter conquistado o tetra, mas sabe que
contribuiu com sua destreza: tanto na Seleção quanto no Palmeiras, equipe com
a qual conseguiu 11 títulos. Ídolo do time alviverde, ele foi homenageado com
um busto no Estádio Palestra Itália. Pela Seleção, jogou nove partidas
oficiais e não marcou nenhum gol. Mas ele não lamenta por não ter conseguido
conferir um tento pela Seleção. |
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"As
qualidades técnicas do Zequinha, que é o titular, são superiores às minhas.
Porém, tenho comigo o que penso ser meu maior trunfo: a força de vontade. Com
ela, posso vencer tudo que possa vir a impedir que me torne um grande
craque".
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No quarto jogo, foi substituído por Feola aos 20min do primeiro tempo, quando o Brasil já vencia a Argélia por 3 a 0 (definitivamente, eram outros tempos). Em seu lugar, entrou Gérson, o preferido da imprensa esportiva do Rio de Janeiro, à época muito influente junto a CBD (que comandava a seleção brasileira). Da Guia não seria convocado novamente para a seleção até 1974, ou seja, nove anos depois. Na Copa de 74, apesar de estar no auge de sua forma física e técnica, mesmo aos 33 anos, não ficou nem no banco de reservas em todas as partidas -exceto na disputa do terceiro lugar contra a Polônia. Conta o livro que, no dia da partida, os jogadores almoçavam na concentração da seleção. Ademir da Guia, já conformado com sua ausência no time, repetia a sobremesa quando foi avisado por um auxiliar de Zagallo (o técnico da seleção à época) de que jogaria a partida à tarde, poucas horas depois. Mesmo sem atuar por cerca de dois meses (tempo da preparação da seleção e dos dias de Copa já decorridos), Da Guia foi um dos melhores da seleção no jogo. Inexplicavelmente, foi substituído logo no início do segundo tempo. Questionado pela imprensa, revoltada com a derrota, Zagallo alegou que Da Guia pedira para sair. Elegantemente, o jogador confirmou a versão -falsa. Mais tarde, receberia uma mensagem do preparador físico Admildo Chirol, em que Zagallo mandava agradecer por ele não ter criticado sua substituição.
UOl - Esporte |
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"A gente brincava de 'bobinho' nos treinos e tentava fazer o Ademir ir para o meio. Todo mundo tocava para ele com efeito, mas não tinha jeito. Do jeito que a bola viesse ele dominava. Eu não me lembro de uma única vez em que o Ademir tenha ido para o meio da roda."
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O Falso Lento
Nem Pelé usaria tão bem aquela camisa 10 verde quanto Ademir da Guia. E aqui não cabe discussão. Adeptos incondicionais da controvérsia, os torcedores do Palmeiras só são capazes de ser unânimes em duas coisas na vida: no ódio ao Corinthians e no amor a Ademir da Guia. Tamanha reverência poderia ser explicada pela longevidade (16 anos de Parque Antártica) ou pela quantidade de títulos oficiais (12 conquistas –incluindo cinco Paulistas e dois Brasileiros). Mas o talento de Ademir vai além das simples estatísticas. Filho de Domingos da Guia, um dos maiores zagueiros do Brasil em todos os tempos, começou a jogar no infantil do Bangu, mas foi levado ao Palmeiras logo no começo dos anos 60. Assinou seu primeiro contrato em agosto de 1961, três dias antes do aniversário do clube. Um presente e tanto. Ele parecia lento com suas passadas largas, mas o ritmo da equipe estava sempre acelerado. Em meio à Era Pelé, só o Palmeiras de Ademir conseguia beliscar títulos. Foi assim em 1963 e 1966. Quando o Santos perdeu fôlego, o Palmeiras se tornou o melhor time do Brasil.
Não ficou rico, mas teve o reconhecimento da torcida do Palmeiras. É um dos raros jogadores a ganhar estátua no Parque Antártica. "Sem Ademir da Guia o Palmeiras é menos Palmeiras", definiu o treinador Rubens Minelli ainda nos anos 60. Revista Placar |
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"O preço que vocês pagaram, não é o que vale só uma das pernas dele !"
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No bairro carioca de Bangu, quando aquele menino de 7 anos, sarará, magro e tímido passava, diziam: "É filho de Domingos, o que acaba de findar a carreira. Esse moleque talvez seja o único da Guia a não bater bola, pois só pensa em natação". E recitavam os craques do clã: Luís Antonio, zagueiro banguense de 1912, Ladislau e Mamédio, chegando a Domingos da Guia, o Divino Mestre, caçula dos irmãos e mais famoso, cuja trajetória o Brasil e o resto do mundo conhecem muito bem.
Em março de 60, a sua performance levou-o aos treinos da seleção brasileira de amadores que ia jogar o Pré-Olímpico no Peru, visando a Olimpíada de Roma. Na triagem, ele foi preterido - mas Gérson estava entre os que viajaram. Por sorte de da Guia, Zizinho, o grande Mestre Ziza, assumiu a direção do profissional banguense e não hesitou em escalá-lo para vencer o torneio de Nova Iorque - batendo, inclusive, o italiano Sampdoria por 4 a 0. No início do ano seguinte, antes de voltar aos Estados Unidos para fazer o mesmo torneio, o Bangu jogou em Portugal e Espanha. Nessa ocasião, o Barcelona quis comprar Ademir por 16 mil dólares e não teve resposta do Bangu. Em agosto, Domingos negociou o passe do filho com o Palmeiras, fato que fez um presidente banguense blasfemar: "Vendemos um bonde"... Pois é, por ironia do destino, esse bonde seria o maior ídolo do paulistano clube do Parque Antarctica.
No primeiro ano alviverde, da Guia atuou nos aspirantes e só em dezembro fez amistoso no time principal. A seguir, com a dupla de meio-de-campo palmeirense, Zequinha e Chinezinho, nos treinos da seleção brasileira que ia à Copa do Mundo, ele jogou bem mais no grupo de cima. E em 63, além de campeão nos aspirantes, da Guia foi ainda aproveitado no profissional, vencendo o certame paulista. Com justiça, nesse 1963 ele seria considerado pela imprensa o melhor jogador de São Paulo. À época, a afinada equipe alviverde passou a ser tida como "Academia". E não faltou quem dissesse que Ademir era lento, confundindo o seu estilo de jogo cadenciado - mas de passadas largas - com vagareza. Em protesto, claro, houve quem respondesse que ele parado fazia mais em campo que os velocistas a correrem inutilmente.
Aos 33 anos, ele queria jogar mais quatro. Para tanto, estava em forma, tonificado e se aplicando nos treinamentos físicos. Foi quando em 1975, em um amistoso em Manaus, de repente Ademir sentiu a primeira crise de falta de ar. Adiante, outros tormentos respiratórios vieram abatê-lo. Em 76, já dono do passe, o meia recebeu propostas dos Corinthians, Guarani e Monterrey mexicano, mas preferiu continuar alugando a força de trabalho ao Palmeiras. Contudo, sentindo-se mal em setembro de 77, jogando com o Corinthians, o Divino capitão palmeirense pediu para sair no intervalo e desde então jamais voltou a atuar como profissional. Ao longo de toda a carreira, ele fez 901 partidas e 153 gols.
Com o fim da Era Ademir acabara a Academia que deliciou a vida por 12 anos. E nos estádios, em escala universal, há a certeza que ninguém demonstrava mais elegância que esse craque no toque de bola. Por isso, ele é poema ("Ademir da Guia") de João Cabral de Melo Neto - um nome na literatura brasileira -, estátua na sede do Palmeiras, memória merecida dentro e fora do Brasil. Sobre da Guia, escreveram na espanhola cidade de Cádiz: "É uma espécie de violonista que mostra um sorriso de uma suavidade desconhecida no futebol de hoje". Assim, não é exagero afirmar que o Divino Ademir foi - em todos os tempos - quem mais aproximou esse espetáculo artístico e esportivo apaixonante da dança, da música e da escultura.
Nota: Este texto é um dos capítulos do livro de Antonio Falcão,
"Os Artistas do Futebol Brasileiro" |
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"O jogador brasileiro que tem o maior número de jogos num único clube é Pelé pelo Santos - 1114 partidas, seguido de Ademir da Guia, no Palmeiras - 901 partidas*."
* 509 - Vitórias 234 - Empates
158 - Derrotas É o terceiro maior artilheiro do Palmeiras com 153 gols. |
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Autor. A.Drummond
É
possível comparar-se Ademir da Guia e Pelé ? |
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O maior
craque da história do Palmeiras vestiu a camisa alviverde por quase vinte
anos. E nenhuma partida mexeu tanto com seus nervos quanto a decisão de
1974. Foi o dia em que o Divino comandou o Verdão para silenciar a nação
corinthiana.
Dia
22 de dezembro de 1974 – Palmeiras 1 x Corinthians 0. Depoimento dado ao Museu do Esporte |
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Dentre
os nomes que passaram pela equipe alviverde de futebol, sete
imortalizaram-se pela sua grande permanência no clube, pela dedicação,
amor à camisa, pela alta capacidade técnica e profissional:
Texto de Walter Pellegrini |
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Como podemos
afirmar que Ademir da Guia
Jogou 5 partidas não oficiais
Nós do site PALESTRINOS, acreditamos que é leviandade afirmar que Ademir da Guia não foi um jogador de seleção só por não ter tido o reconhecimento dos técnicos que passaram pela CBD / CBF. É impossível imaginar que um jogador de qualidades indiscutíveis, que durante o período de 1962 a 1974 jogou mais de 90% das partidas disputadas, artilheiro [153 gols pelo Palmeiras], ganhou 4 Paulista, 2 Roberto Gomes Pedrosa "Robertão", 2 Brasileiro, 1 Taça Brasil, 1 Rio-São Paulo e ser unanimidade entre os palmeirenses; não tenha sido convocado mais vezes. Acreditamos também, que tenha faltado respeito e isenção dos críticos e técnicos para com o Divino. Pois, jogador desta magnitude não poderia ter atuado só nove partidas pela Seleção Brasileira*. Ademir da Guia não fez nenhum gol pela seleção. Ainda bem... Ela não merecia. *Ademir foi convocado 2 vezes: 1965 e 1974 |
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Palmeiras 1 x 2 Seleção Paulista
Palmeiras: Leão (Martorelli), Nenê (Ditinho), Luiz Pereira (Márcio), Vagner (Vagner Jr) e Carlão (Denys). Rocha (Fausto), Ademir da Guia (C.A. Borges) (Aragonês) e Jorginho. (Cléo), Robertinho, (Hélio), Baltazar (Reinal-do) e Eugênio (Carlos Henrique) Téc. Fedato.
Sel. Paulista: Waldir Peres, Mauro, Oscar, Gassem e
Odirlei. Lino, Luizinho e Rivelino. Paulo Isidoro (Jorge Mendonça),
Serginho e
Domingo, 22/01/1984 - 10:40 h (manhã) Local: Canindé - São Paulo - SP Juíz: Roberto Nunes Morgado Público: 9.785 - Renda: CR$ 12.430.500,00 Gols: Serginho, Jorginho e Jorge Mendonça.
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Ele passeava pelo campo
com a elegância de um Ismael Silva, de um Ataulfo Alves. Jogava como que
vestido A pré-estréia do documentário, no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, foi transformada em paraíso para palestrinos nostálgicos dos bons tempos da Academia. Além de Ademir, estavam seu eterno companheiro de meio-campo, Dudu, o mitológico goleiro Oberdan Catani, o centroavante César. Todos para reverenciar o Divino, que se emocionou com o filme, mas, fiel ao seu estilo, conteve-se. Oberdan, depois da sessão, disse que filmes como esse são muito bons. “Mas há tão poucos deles...”, lamentou. O velho goleiro, integrante do dream team palmeirense de todos os tempos, disse que Ademir ainda é privilegiado pois tem registradas suas imagens jogando. Dele, Oberdan, não restou nada. Só imagens de entrevistas. Só a memória. Oberdan põe a culpa nos incêndios das emissoras, que devastaram arquivos preciosos: “Pegou fogo em tudo...”. O volante Dudu também gostou e disse que filmes como o de Ademir são importantes “para a molecada de hoje ver como se jogava naquele nosso tempo”. E como se jogava... Como disse o narrador Fiori Giglioti, “naquele tempo o palmeirense ia ao estádio com a certeza de que seu time ia jogar bem; podia até não ganhar, mas havia categoria em campo.” Mas as imagens são a prova dos noves. E, aí, o diretor Penna Filho dá razão aos ex-jogadores – é difícil encontrar bons registros dos jogadores veteranos. “Eu gostaria de ter feito um filme com menos depoimentos e mais jogadas do Ademir, mas usamos o que foi possível”.
O repertório de Ademir como artilheiro também é variado – há gols de pé direito e de pé esquerdo. De cabeça e de falta, cobrada com três dedos. Escorando cruzamentos na área, matando a bola no peito, escondendo-a do adversário e arrematando. Fez 153 gols, em 16 anos, pelo Palmeiras. Aliás, com exceção do início no Bangu, o Palmeiras foi seu único time. Por essa constância, também, além da categoria de mestre, é o ídolo maior do Palestra Itália. Nota: Texto O Estado de São Paulo, Luiz Zanin - 8/8/2006 |
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Ademir da Guia |
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João Cabral de Melo Neto Publicado no livro Museu deTudo (1975).
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José Victor M. Oliveira e José E. Filho