Salve Campeão Paulista de 1942 !

 

Crônica de Carmelo J. Reina

 

É com a mais ardente alegria que venho a público para saudar o Campeão de 1942; a S. E. PALMEIRAS, sua diretoria, entusiastas defensores e a formidável e bem disciplinada “Torcida Uniformizada” alviverde, pelo brilhante feito neste campeonato que agora se findou!

 

Esta minha crônica se destina a todos os craques esmeraldinos, que, durante este ano-imperial de 42 – como bem diz Vicenzo Ragognetti – souberam dar ao clube do Parque Antártica, a 9ª vez o ambicionado título de Campeão.

 

Clodô:
Nas pelejas em que tomou parte soube defender o arco confiado à sua guarda, com maestria e coragem e fez com que o alviverde terminasse o primeiro turno, como “Líder Invicto”.

Oberdan:
Outro guardião de invulgares qualidades, que deu o seu quinhão no segundo turno, tendo-se classificado o melhor arqueiro da cidade. Em Santos, deu ao alviverde, dois pontos, pois contra a Portuguesa Santista defendeu um tento certo.

Begliomini:
O “Loiro” que está ficando “Careca”... Zagueiro dedicado que “deu tudo para a conquista do título máximo”.  Se a fatalidade o fez marcar um tento “contra”, no derbi, muitos são os tentos certos que ele salvou na presente temporada.

Junqueira:
Todos devem estar lembrados da famosa “bicicleta” que salvou o tento certo, no derbi do primeiro turno. Depois da vitória frente ao São Paulo, perguntei-lhe:  “Junqueira, você não está cansado de ser campeão?”  Ele respondeu que pretende ser, no mínimo, mais dez vezes.

Celestino:
Um grande reserva que soube melhor do que muitos titulares dos outros clubes, ser um grande jogador, defendendo com classe o lugar que lhe foi confiado em algumas partidas.

Carnera:
O “Bom Gigante”, dedicado e veterano alviverde, que quando chamado a intervir, sempre o fez com entusiasmo.

 Zezé Procópio:
O “Serelepe” que estonteia toda e qualquer linha que lhe aparece pela frente, com joga!

Gengo e Oliveira:
Os dois azes que ocuparam a posição de médios direito, antes de Procópio ingressar nas hostes esmeraldinas. Muito deve a eles o Palmeiras.

Og Moreira:
O maravilhoso “Toscanini” que, no Rio foi desprezado, porque “não dava no couro”.  No Parque Antártica, veio encher a lacuna existente. Tornou-se parte integrante do poderoso maquinismo Palmeirense. E com isso está dito tudo.

Del Nero:
O “Puro Sangue” Palmeirense 100%, que joga com grande amor e entusiasmo. No jogo com o São Paulo, que deu ao Palmeiras o título de campeão, foi um dos artífices, mais diretos, da brilhante vitória.

Cláudio:
O “Muleque” que só faz travessuras, para desgostar o adversário. Ultimamente, tem sido um assombro.

Waldemar Fiúme:
A “Revelação Alviverde”, produto genuíno da nossa várzea. Em todos os jogos disputados, tem contribuído grandemente, para a vitória de suas cores.

Romeu:
O “Priincipe” não tem tido muita sorte; mas, com um pouco de regime e treinos, soube demonstrar o quanto ainda vale.  Marcou só dois tentos, mas dois tentos de “ouro”: um contra o São Paulo no primeiro turno, outro conta a Portuguesa Santista. Esses dois tentos maravilhosos nos deram a vitória.

Américo:
O homem com quem o destino não quer fazer as pazes... Mas também teve o seu quinhão, portanto marcou o gol da vitória no jogo contra o S.P.R. no primeiro turno.

Cabeção:
Ótimo jogador, que só tem um defeito: “Ir buscar a bola nas redes do adversário”. Esforçado e impetuoso.

Echevarrieta:
O espantalho das defesas adversárias. depois do jogo com o São Paulo, foi o primeiro a chegar no Parque Antártica, dizendo todo satisfeito:  “mais uma vez campeão

Lima:
O “Garoto de Ouro”, o “motorzinho” outro assombro, outro espantalho das defesas, o melhor meia-esquerda dos campos paulistas. Não só sabe jogar bem nessa posição como em qualquer outra onde é chamado a intervir.  É – no dizer de Pimenta neto – o cérebro e o coração do quadro Palmeirense.

Villadoniga:
A “pedra preciosa”, rapaz dedicado, que nas vezes em que jogou desincumbiu-se bem da sua árdua missão.

 

Leitor amigo, acha que com um esquadrão desses, o Palmeiras poderia perder o campeonato de 1942?  Nunca jamais, em tempo algum!

 

Seria injustiça, não citar nessa crônica, o labor do grande Diretor de Esportes: Otílio Cecchini, os esforços do técnico Del Debbio e de toda a diretoria alviverde, que apoiada pela coesa “Torcida Uniformizada”, primeiro chefiada por Augusto Zaccaro e depois sob a chefia de Albino Gozo e Humberto Latini, tudo fizeram para que mais uma vez pudesse tremular no mastro da vitória o Glorioso Pavilhão Esmeraldino.

 

Fonte: Vida Esportiva, outubro de 1942

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