O Maracanazzo dos “Garotos de Telê Santana"
 

Caro amigos palestrinos, a história desta semana nos levará ao mais tradicional palco do futebol carioca,  do Brasil,  e por que não dizer do mundo, ou seja, o Estádio Jornalista Mário Filho, o popular Maracanã. Aos longos de mais de 50 anos, foram ali travadas, partidas memoráveis, seja da Seleção Brasileira, sejam de vários times brasileiros. E entre várias equipes nacionais que ali “desfilaram”, destaque para o nosso glorioso PALMEIRAS, que também neste tradicional estádio, marcou história. Como esquecer, por exemplo, o primeiro campeão Internacional que o estádio do Maracanã viria a conhecer logo com um ano de existência. A gloriosa SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS, conquista o Mundial de Clubes, frente à poderosa Juventus de Turim, na famosa Copa Rio de 1951. O ano é 1979, e o adversário o Clube de Regatas do Flamengo, na época, uma equipe quase imbatível, principalmente, em seus domínios.

Sobre o termo utilizado no título da coluna  Maracanazzo, um pequeno comentário faz-se necessário, principalmente, aos mais jovens: O termo em questão, acabou sendo adotado pela crônica em geral da época, e perdura até os dias atuais, para adjetivar, aquela que ficou conhecida como  “a mãe de todas as derrotas”.  Na final da Copa do Mundo de 1950, entre Brasil e Uruguai, uma verdadeira tragédia abate-se sobre a nação brasileira. O Uruguai, derrota o Brasil por 2 x 1, em pleno Maracanã, com aproximadamente 200 mil pessoas, e sagra-se Bi-campeão. Toda vez que se fala ou escreve sobre este tema, o termo acima, nunca é esquecido.

Após esta explanação, voltemos ao tema da semana. Transcorria o ano de 1979, e após um primeiro semestre turbulento, o nosso treinador Telê Santana, que havia assumido a equipe alviverde no início do ano, começara a dar um certo padrão ao time, e este começava a mostrar resultados. O segundo semestre, no futebol brasileiro, só pra variar, vivia uma grande desorganização. Pois alguns campeonatos estaduais, estavam ocorrendo simultaneamente ao Campeonato Brasileiro. Exemplo: o Campeonato Paulista! E para piorar ainda mais as coisas, por pura pressão política, o Campeonato Brasileiro de 1979, chegara ao recorde de 94 equipes. Isto mesmo! Excetuando o Campeonato João Havelange de 2000 que reuniu em 4 módulos, Verde, Amarelo, Azul e Branco com 114 times; é o recorde até os dias atuais. Portanto no referido Campeonato, dos grandes paulistas, somente o PALMEIRAS  fez-se representar, juntamente com o Guarani. Isto porque, os dois, só entrariam, diretamente na 3 fase da competição, visto que o regulamente previa ao Campeão, Guarani e o Vice PALMEIRAS do ano anterior, este direito.

O time, dos “garotos” de Telê, que na verdade mesclava jovens valores, com outros não tão jovens assim, vinham  de uma excelente seqüência de vitória, entre o Campeonato Paulista e o Campeonato Brasileiro. O nosso alviverde havia vencido pelo Paulista:  O Santos ( 5 x 1 ); Portuguesa ( 5 x 1 ); e pelo Brasileiro: Comercial ( 5 x 1 );  São Bento ( 4 x 0 ). A terceira fase do Campeonato Brasileiro, reuniu 16 equipes,  separadas e 4 grupos de 4 equipes cada, classificando para a semi-final, o campeão de cada chave. Os jogos eram somente de ida. Portanto, restava para o término da fase, a última  partida, a, então, poderosa equipe rubro-negra.

Desculpem-me alguns palmeirenses, mas o Flamengo, naqueles idos, era visto mesmo desta forma, ou seja, um time difícil  de ser batido, principalmente no Maracanã. A equipe rubro-negra, havia até então, conquistado os títulos de: Campeão da Taça Guanabara de 1978 e 1979;  Campeão Carioca de 1978, 1979 e 1979 ( Especial ), e tinha em seu elenco, aquele, que é considerado pela torcida flamenguista o maior jogador de todos os tempos: Zico!  Sem dizer, que somando a segunda fase, não disputou a primeira e a terceira, o time rubro-negro em 9 jogos, somou: 7 vitórias e 2 empates, sofrendo apenas 2 gols e marcando 20. Nesta fase, ainda não sofrera nenhum tento. Dentro desse retrospecto positivo, um fato inusitado chamou a atenção. O presidente Márcio Braga ,o mesmo de hoje,  num excesso de confiança e desrespeito ao nosso glorioso PALESTRA, ordenou., que se comprasse antecipadamente as passagens de avião, com destino a Porto Alegre. Pois para ele,  aqueles jovens jogadores alviverdes, jamais teria condição de vencer ao Flamengo, dentro do Maracanã. Obs: O campeão desta chave, enfrentaria o Internacional na semi-final.

A prepotência do presidente rubro-negro, só fez aumentar ainda mais a confiança de nossa esquadra alviverde. Assim como, também mexeu com os ânimos da NAÇÃO ALVIVERDE, que num gesto de amor e abnegação, organizaram-se em inúmeras caravanas, de várias partes da Capital e também do interior. Com isso, aproximadamente, 20 mil apaixonados palmeirenses, invadiram o “Maraca”, naquela bela tarde de domingo.

Conforme os torcedores alviverdes iam chegando no Rio de Janeiro, eram provocados, segundo relato de um grande amigo meu, pelos torcedores rubro-negros. Pois estes achavam, que os palmeirenses estavam ali perdendo tempo, pois o Flamengo, jamais poderia sair dali derrotado do Maracanã. E diga-se de passagem, naquela tarde, o afluxo de flamenguistas  foi muito grande, chegando aproximadamente na casa de 100.000 torcedores.   

A mística da camisa alviverde se fez presente naquela bela tarde de domingo, pois, aqueles jovens atletas palmeirenses, entraram no gramado do Maracanã, e não deixaram-se abalar, e foram para a “luta”. Logo aos 11 minutos, o nosso jogador Jorge Mendonça abriu o placar, silenciando o gigantesco estádio. Apesar da pressão rubro-negra, os “garotos” de Telê, tinham a partida nas mãos. E assim terminou o primeiro tempo!

Começa o segundo tempo, e a pressão do time de Zico e Cia, continua, mas sem abalar nossos atletas alviverdes. Mas o árbitro tenta dar uma “força” ao Flamengo, assinalando um pênalti a favor deles aos 9 do segundo tempo, convertido por Zico. O PALMEIRAS, não se deixou abater, e continuou praticando o seu belo e confiante futebol. Aos 24 minutos do segundo tempo, o Maracanã silencia de vez, com o gol de nosso atleta Carlos Alberto Seixas. O desespero começa a tomar conta, não só da torcida, como dos jogadores rubro-negros. Aproveitando disso, o nosso ALVIVERDE, amplia o placar aos 31 minutos, com lateral direito Pedrinho. PALMEIRAS 3 x 1 Flamengo! A partir daí, o que se viu em campo, foi a equipe da casa totalmente descontrolada, tanto que, o técnico do Flamengo, o falecido Cláudio Coutinho, talvez não agüentando ver o “passeio” da equipe verde de Telê em campo, colocou o jogador Beijoca, sem qualquer recursos técnicos, só para bater nos jovens atletas alviverdes. Acabou desferindo um soco no rosto em um de nossos atletas, e acabou sendo justamente expulso. Mas a partida, ainda não chegara ao seu  final, e deu tempo de mais um gol alviverde, aos 45 minutos, através do jogador Zé Mário de cabeça, fechando o caixão flamenguista. Emudecido ficou o Maracanã, exceto, no setor onde estavam aqueles apaixonados palmeirenses, que em festa, foram premiados com esta histórica vitória, por nunca terem deixado de confiar em nossa amada SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS. Um gigante pela própria natureza!

Miro Moraes - 12/2005

 

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