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A épica noite
de São Marcos !!!
Na semana em que toda a coletividade palmeirense receberam
com júbilo, a notícia de que o nosso grande ”Sã o
Marcos“ de Parque Antártica, renovara o contrato com o nosso AMADO TIME, e
não mais nos deixaria, relatarei uma das mais brilhantes páginas, deste
grande goleiro, vestindo a nossa consagrada camisa.
Antes de se iniciar a história desta semana, uma introdução se faz
necessária, para que todos possam sentirem e vivenciarem, o que a
“batalha” que relatarei mais adiante, pôde significar para duas
apaixonadas e imensas torcidas.
Desde 1917, data em que marcaria o pontapé inicial de uma rivalidade
histórica, PALMEIRAS e Corinthians vêem medindo forças em várias
competições ao longo de quase 90 anos de intensa rivalidade. Seja desde a
primeira partida que marcou o confronto, no qual batemos a equipe
alvinegra por 3 x 0 ( Detalhe: o Corinthians vinha de uma invencibilidade
de 3 anos e 25 jogos sem perder, além de 2 títulos Paulistas 1914 e 1916
), até grandes partidas que decidiram campeonatos, torneios, copas, ou
“simples” amistosos. Exemplo: Rio-São Paulo de 1951 ( 3 x 1 e título
alviverde ); Paulista de 1974 ( fila neles! ); Paulista 1993 ( saímos da
fila em cima deles ); Rio-São Paulo 1993; Brasileiro 1994, entre
outros...!
Mas quis o destino, que desta vez PALMEIRAS e Corinthians, iriam se
encontrar pela primeira vez, no mais tradicional torneio de clubes da
América Latina, ou seja, a Taça Libertadores da América. O ano que
marcaria esses primeiros confrontos, foi em 1999. O nosso VERDÃO, havia
conquistado a Copa do Brasil do ano anterior, e a equipe alvinegra, o
Brasileiro, também do mesmo ano, classificando ambas para o tradicional
torneio de clubes.
Só para vocês sentirem o tamanho desta rivalidade, PALMEIRAS e
Corinthians, somando os confrontos de 1999 e 2000, num total de 6
partidas, apresentaram um total equilíbrio, empatando em todos os
critérios. Cito: 1999 e 2000 - 3 vitórias alviverdes: ( 1
x 0 ( Arce ); 2 x 0 ( Oséas e Rogério ); 3 x 2 ( Euller, Alex e Galeano ))
- 3 vitórias alvinegras: ( 2 x 1 ( Paulo Nunes ), 2 x 0 e 4 x 3 ( Júnior,
Alex e Euller ) ). Resumo das 6 partidas: PALMEIRAS e Corinthians: 3
vitórias e 3 derrotas; 10 gols marcados e 10 gols sofridos, para cada
lado.
Sobre o tema desta semana, poderia citar 2 jogos marcantes, que teve
Marcos como protagonista. Uma delas foi no dia 5 de Maio de 1999 ( vitória
por 2 x 0 frente a equipe alvinegra ), quando o nosso guarda-meta, quase
que literalmente “fechou” o gol, pegando tudo que foi bola, naquela noite.
Mas vou me ater sobre a segunda partida marcante de Marcos na referida
competição, sobre o nosso mais tradicional rival. Trata-se do jogo do dia
4 de Junho de 2000. Partida esta válida pela Semifinal da Libertadores
daquele ano. Segundo e decisivo jogo. Havíamos perdido a primeira partida
por 4 x 3, e necessitávamos vencer a qualquer custo. A expectativa, tanto
da imprensa, como da torcida corintiana, era de que o destino havia
colocado novamente frente a frente PALMEIRAS e Corinthians, para que
pudessem devolver a eliminação do ano anterior. A mídia corintiana,
realmente criou um clima todo favorável a equipe alvinegra, mas não
contavam com a mística da camisa VERDE E BRANCA. Lembro-me que antes do
jogo, alguns amigos corintianos, “cantavam vitória”, pois achavam que
desta vez a história seria diferente. Na cabeça deles, nada poderia sair
errado!
Confesso, que estava um tanto temeroso antes da partida iniciar, mas no
fundo de meu coração palestrino, a confiança era imensa. Além do mais, no
comando técnico de nossa equipe, tinha nada mais, nada menos que o grande
Luiz Felipe Scolari. Este, antes da partida iniciar, mexeu com o brio de
seus
comandados, que entraram “mordido” e com muita garra. Enquanto no banco
deles, tinha um “frio” treinador: Osvaldo de Oliveira.
Partida iniciada, logo tomamos conta da partida, e fomos premiados com o
gol de Euller aos 34 ainda do primeiro tempo. O Corinthians buscava o
empate. Infelizmente, eles conseguiram mais que isso, viraram o placar,
aos 7 minutos do segundo tempo com Luizão. Para a nossa alegria, aos 14
minutos, Alex empata a partida. Mas precisávamos de mais um gol, para
levar a partida para decisão de pênaltis. Gostaria de fazer um pequeno
comentário: Conversando com um amigo corintiano alguns dias depois,
disse-me: “Quando o PALMEIRAS, chegou ao empate, eu comecei a chorar, pois
senti que o terceiro gol, sairia a qualquer momento”... Isto graças a
confiança que o nosso técnico Felipão transmitira aos jogadores em campo.
Enquanto o comandante deles só observava, inerte. E não deu outra, o nosso
guerreiro Galeano, fez o terceiro gol aos 26 minutos do segundo.
Partida encerrada, vitória alviverde 3 x 2, e novamente frente a frente,
como no ano anterior, em mais uma disputa de pênaltis pela Libertadores da
América, PALMEIRAS e Corinthians, iriam decidir as suas sortes na
competição. No gol alvinegro estava Dida, que vivia um ótimo momento
embaixo das traves, chegando a pegar em uma só partida, dois pênaltis do
jogador sãopaulino Raí, entre outros pênaltis defendidos. Mas na meta
palestrina, estava ali, não um goleiro comum, mas para nós palmeirenses um
SANTO. O “São Marcos” de Parque Antártica, assim como é carinhosamente
chamado pela torcida verde, detentor de verdadeiros “milagres”.
O nosso guarda-rede, havia, nos últimos anos reescrito na meta
palmeirense, uma nova história, ou melhor, um novo evangelho: “O EVANGELHO
SEGUNDO SÃO MARCOS”. Tamanho eram os seus “milagres” embaixo das traves
palestrinas. Portanto, que venham os
tiros penais, nada temeremos! Para nossa imensa alegria, Dida, desta vez
não conseguira defender nenhum pênalti. Converteram para o PALMEIRAS:
Marcelo Ramos; Roque Júnior; Alex; Asprilla e Júnior. A favor deles:
Ricardinho; Fábio Luciano; Edu; Índio.
Eis que finalmente chega o grande momento: Quem pega a bola para bater o
último pênalti a favor deles? Sim amigos! Ele mesmo, o marrento e
mascarado ( mas um exímio cobrador de pênaltis ) Marcelinho Carioca.
Frente a frente, de um lado um “santo”, do outro, o nefasto jogador.
Caminha lentamente e... neste momento, acredito que, até mesmo o Universo
em constante expansão, segundo alguns estudiosos, com as galáxias se
distanciando umas das outras a velocidades astronômicas, cessou por alguns
segundos o seu movimento, para poder presenciar, este grande momento...
Marcelinho vai em direção a bola e... O nosso São Marcos, santo como é,
levanta os seus braços aos céus, e talvez, estivesse pronunciando as
seguintes palavras: “Pai, em suas mãos entrego esta defesa” ...tentando
mudar o canto em cima da hora, chuta no canto direito de Marcos, sentindo
que a bola entraria, inicia a sua tradicional comemoração ( movimentando
os braços no sentido circular ), mas fica estático vendo o nosso goleiro
acertando o canto, e executando uma magistral defesa. São Marcos,
imediatamente, corre em direção a torcida alviverde, e joga-se de peito no
gramado do Morumbi, e vai planando feito um anjo. De um lado corintianos
choram incrédulos, do outro, choram de alegria e emoção toda uma NAÇÃO,
onde o VERDE sempre foi e será o VERDE DA ESPERANÇA.
Miro Moraes -
12/2005 |