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Deixou-nos Jorge, o craque Mendonça, que
aportara em nosso amado clube
De início, talvez não inspirasse total
confiança, do então treinador Dino Sani. Este, ou o sacava no decorrer das
partidas, ou iniciava com Jorge no banco, colocando-o no desenrolar dos
jogos. Mas com a saída de Dino Sani e a entrada do novato Dudu, passa a
ter mais oportunidades na equipe titular, e conseqüentemente, mais chances
de mostrar a que veio. Também com a efetivação do centroavante Toninho,
ambos viriam a fazer uma dupla perfeita, levando o pavor às defesas
adversárias. Tanto é, que ambos acabam assinalando a maioria dos gols palm Grandes atuações teve Jorge Mendonça, vestindo o nosso glorioso manto, pois poderia citar também uma outra grande partida, que certamente, teve como destaque este estupendo meia-direita. Trata-se do famoso jogo de 1979, que o PALMEIRAS, comandado, no banco e no campo por, respectivamente, Telê Santana e Jorge Mendonça, ousou calar mais de 100 mil vozes rubro-negras, no tradicional estádio do Maracanã, o talvez já conhecido “Maracanazzo dos garotos de Telê”. Com uma grande atuação, Jorge Mendonça, leva aqueles desacreditados (pela mídia local) e jovens jogadores palmeirenses a uma histórica vitória por 4 x 1, classificando o nosso querido PALMEIRAS, para a semifinal do Brasileiro de 79, diante do Inter-RS. O grande Jorge, não só mostrou o belo futebol que todos conheciam, mas, talvez para calar os críticos que o provocavam, dizendo que fugia das divididas e não demonstrava raça, nesta épica partida, fora um verdadeiro “leão” em campo. E só para não fugir à regra, também deixou a sua marca, assinalando o primeiro gol da partida.
Foi-se Jorge, feito Mendonça,
para nós palmeirenses, o grande maestro, o cerebral jogador, um verdadeiro
seguidor do futebol fidalgo do grande Ademir da Guia. Como afirmara
anteriormente, ficaria marcado pela mídia, assim como por alguns
torcedores, como um jogador sem fibra, avesso às divididas, taxado de
pipoqueiro. Mas em defesa do fenomenal Jorge, digo-lhe: “As mãos de um
pianista não foram feitas para se empunhar uma marreta disposta a quebrar
pedras, mas sim, dedilhar seu instrumento, e presentear, os ouvidos mais
sensíveis, com lindas notas musicais”. Portanto, os críticos deste
estupendo meia-direita, penso que nunca deveriam cobrar-lhe que entrasse
nas divididas em disputa de uma bola, pois esta, certamente, vinha
aninhar-se aos seus habilidosos pés, para receber o carinho devido;
certamente, o grande Jorge Mendonça, saberia tratá-la com destreza e
maestria. Tal pecha (pipoqueiro), nascera em um desses programas
esportivos, estilo debate-bola, em um intervalo entre um jogo e outro, na
Copa do Mundo de 1978. Um conceituado jornalista levantou a questão, de
que ele, Jorge, parecia que corria pra não chegar. Mas, na verdade, foi
graças às suas grandes exibições, que barrara o grande jogador Zico (quase
uma unanimidade naqueles idos), fazendo com que o então técnico da Seleção
Brasileira, o falecido Cláudio Coutinho, optasse por escalar aquele
jogador de pernas finas, mas de um futebol exuberante. Jorge Mendonça iniciara a sua trajetória vestindo a camisa da Seleção Brasileira, no dia 10 de Abril de 1978 em um amistoso diante da equipe do Al Ahli (Arábia Saudita), com vitória brasileira por 6 x 1, e como sempre, Jorge deixaria a sua marca, assinalando um tento. Atuaria com a camisa verde e amarela, ainda por mais 10 oportunidades, sendo 6 delas, como já dissera, pela Copa do Mundo de 1978. Infelizmente, o seu faro de artilheiro não se verificaria com a camisa da Seleção, pois nas 11 vezes que atuou, assinalou apenas 2 gols, (um diante do Al Ahli, como afirmara, e o outro, no amistoso ( 2 x 0 ) com o Atlético Madrid, no dia 28-04-78 na Espanha). Acredito que, no que considero um comentário infeliz desse grande jornalista, ficaria marcado ao retornar da Copa, tanto pela mídia, quanto pela torcida, fato é, que não voltaria mais a vestir a camisa canarinho. Os seus críticos, queriam ver de sua parte, mais determinação, mais raça, mais vontade, em detrimento do seu clássico e belo futebol. Mas sentindo-se incólume a essas críticas, continuou presenteando, os que apreciavam o seu talento, com grandes exibições. Injustiças a parte, Jorge Mendonça é até os dias atuais o detentor do recorde de único jogador a assinalar mais de 30 gols em um só Campeonato Paulista após a era Pelé. Foi no campeonato Paulista de 1981 que vestindo a camisa do Guarani F.C., assinalou nada mais, nada menos que 38 gols.
Eternizou-se Jorge, querido
Mendonça, que no dia 17 de Fevereiro de 2006, partiu para sempre, para a
sua longa jornada. Ele, que tanto dignificou o nosso sagrado manto verde e
branco, conquistaria, entre os torcedores alviverdes, a simpatia e a
reverência ao seu belo futebol, até mesmo entre aqueles que não tiveram a
felicidade de vê-lo jogar. Haja vista que, no dia de seu fale Pois, assim como na Terra, assim como no Céu, o nosso querido e amado PALMEIRAS NASCEU PARA SER ETERNO!!!!
Miro Moraes 03/04 |