AQUELE INESQUECÍVEL NATAL DE 1921


Entre mais de 5 mil partidas realizadas desde 1915 pelo nosso glorioso clube, por incrível que possa parecer até mesmo no dia de hoje, ou seja, 25 de Dezembro, como diz o intróito de nosso amado hino, surgiu o alviverde imponente para mais uma “luta” que no gramado o aguardava. Foi no NATAL do ano de 1921 em partida válida pelo Campeonato Paulista, que viria a ocorrer mais uma épica batalha dentro de nossa rica história.

Transcorria o ano de 1921, e o glorioso PALESTRA ITÁLIA, buscava obter o bi-campeonato Paulista. Mas não seria tarefa nada fácil levando-se em conta que existiam mais dois ferrenhos adversários, mais dois fortíssimos antagonistas tentando alcançar o mesmo objetivo: Paulistano e Corinthians, juntamente com o nosso querido PALESTRA configurava-se o chamado primeiro Trio de ferro do futebol bandeirante.

A rivalidade entre os três era evidente. As três maiores forças. As três maiores torcidas (os palestrinos eram imensa maioria). Confrontos por demais significativos e tumultuados já haviam dado lugar. Só pra ficarmos em alguns exemplos: Quando o PALESTRA retirou-se do campeonato paulista de 1918, por sentir-se flagrantemente prejudicado naquela ocasião no campo do Jardim América frente ao Paulistano; ou ainda no ano de 1920, quando, por discordar da arbitragem tendenciosa no 5 de setembro, desta feita contra o Corinthians, após tremenda pancadaria no estádio, com até mesmo os torcedores palestrinos revoltados depredando o as dependências do Parque Antártica, resolveu-se novamente retirar-se do campeonato. Mas, demovidos que foram os homens de nossa amada SOCIETÀ, voltamos ao campeonato, em tempo de conquistá-lo pela primeira vez.

Portanto amigos palestrinos, tudo se levava a crer que o título paulista da temporada de 1921 seria acirrado e disputado palmo a palmo por aquelas três grandes forças do futebol bandeirante. O regulamento bem simples previa uma competição com 12 equipes, jogando em turno e returno em pontos corridos, ficando com o título a equipe com o menor quantidade de “pontos perdidos” (comum na época), ou como queira outros, maior número de pontos ganhos. E se o PALESTRA sonhava em alcançar o bi-campeonato, não poderia pensar em perder pontos, principalmente para os dois maiores rivais. Mas infelizmente não foi o que aconteceu. Pelo contrário, em nossa estréia na competição no dia 1º de Maio de 1921, jogando em nossa casa, sofremos um doloroso revés frente ao Paulistano pela contagem de 4 a 1. Pior, voltamos a perder para eles, desta feita no Jardim América pelo o placar de 1 a 0.

Melhor sorte tivemos frente ao nosso outro rival (Corinthians). Em partida válida pelo o primeiro turno, jogando em Parque Antártica, conseguimos uma convincente vitória pela contagem de 3 a 1 (Martinelli; Picagli e Ministro). Podemos notar que a “briga” estava mesmo acirrada entre os rivais. Mas houve contra o PALESTRA uma preocupação, digamos, a mais no campeonato. Um fato inusitado chamou a atenção de todos. Na partida do dia 29 de Maio de 1921, após estarmos vencendo ao Internacional por 2 a 0, sofremos uma virada por 3 a 2. Mas restante ainda 10 minutos para o fim da partida, o árbitro, confundiu-se com a cronometragem e deu a partida por encerrada. A mesma foi a julgamento no dia 27 de Novembro, mas infelizmente decidiu-se pela permanência do placar. Ponto precioso que certamente faria muita falta ao nosso querido PALESTRA, ao final dos dois turnos.

Chegamos, portanto a última rodada do campeonato. A classificação mostrava o alvi-preto (como eram chamado) do Bom Retiro, o Corinthians na liderança com 38 pontos; vindo a seguir o Paulistano com 37, e na terceira colocação o nosso amado PALESTRA ITÁLIA, com 36 pontos conquistados. Uma vitória do Paulistano na véspera de Natal, alijava o nosso alviverde da busca do bi-campeonato. Infelizmente para nós palestrinos, acabou por configurar o que não esperávamos, ou seja: o Paulistano bateu a equipe do Sírio, jogando em seu estádio (Jardim América) pela contagem de 3 a 2.

Bom amigos, o querido PALESTRA agora fora da disputa, restava o prazer de tentar tirar o título de seu maior rival. A tabela, por mais incrível que possa parecer, marcara para o dia 25 de Dezembro de 1921, isso mesmo, no dia de NATAL aquele decisivo embate envolvendo o nosso amado ALVIVERDE e o clube dos operários (como era conhecido), o Corinthians. Ao clube do Bom Retiro bastava um simples empate para conquistar o seu terceiro título paulista. Da parte da gente do Paulistano, existia um certo receio se o PALESTRA poderia “amolecer” e permitir o empate, que já daria o titulo ao rival corintiano. Até porque se o Paulistano levantasse o título, ficaria de posse definitiva da Taça Cidade de São Paulo.

Naquele Domingo, 25 de Dezembro de 1921, não só os palestrinos e corintianos se fizeram presentes ao estádio de Parque Antártica naquela tarde, mas o PALESTRA recebeu grande apoio dos simpatizantes do clube do Jardim América. Mas, sem duvida, fora desnecessária aquela força extra na torcida, pois o nosso sempre amado e querido PALESTRA ITÁLIA, de forma soberba e digna de sua história massacrou a equipe do Corinthians com uma sonora e convincente goleada por 3 a 0 (Martinelli; Imparato e Heitor). Que belíssimo presente de Natal podemos dar aos nossos maiores rivais, naquela épica tarde! Paulistano fica com o título da temporada, e, no dia seguinte envia um ofício ao nosso amado alviverde, enaltecendo a forma digna, e, como relata os arquivos de época, reconhecendo o “grande princípio esportivo” no qual o glorioso PALESTRA ITÁLIA demonstrou naquela jornada.


Obs: Numa decisão inédita, a APEA determinou uma partida extra para definir o vice-campeão de 1921. Pois tanto o PALESTRA e o Corinthians terminaram na segunda colocação com 38 pontos ganhos. Obs: Embora o ALVIVERDE tenha uma vitória a mais que o rival. Partida marcada para o dia 8 de Janeiro no campo neutro da Floresta. Devido a acirrada rivalidade, seja por parte da torcida e dos atletas, ninguém aceitava sair derrotado daquele prélio. Determinado momento o PALESTRA, mais uma vez vendo-se prejudicado pela arbitragem, desta feita, de Hermann Friese (o mesmo do dia 25 de Dezembro), o nosso alviverde resolve retirar-se de campo. A APEA então decide por considerar, acreditem ou não, ambas equipes perdedoras.
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Miro Moraes, dezembro de 2006

 

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