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22 de dezembro de 1974
O Jogo mais Marcante de Minha Vida
Vou relatar
o jogo do Verdão mais marcante na minha memória até os dias de hoje. “Eu
tinha 13 anos em 1974, e já assistia muitos jogos da Academia de Futebol
pelo interior paulista e algumas
partidas
na própria Capital. Eu ganhei mais um presente naquele ano, quando um tio
que morava na Capital nos convidou para assistirmos a final do Paulistão
de 1974. Chegamos por volta da uma hora da tarde no Morumbi com tempo
encoberto por nuvens carregadas, o que me fez ficar preocupado com a
técnica do nosso time em caso de chuva forte. Fomos direto para a ala
alviverde e o estádio já estava quase completo, três partes do Morumbi
eram corintianos e todos nós palmeirenses estávamos perplexos com a nossa
inferioridade nas arquibancadas. O tempo passou muito rápido e o esquadrão
surgiu no gramado, os nossos gritos eram abafados facilmente pelos apupos
dos adversários. Isso só já nos fazia sentir inferiorizados, mas começou a
grande final. Já no início o Divino Mestre começa a debutar no gramado
toda a sua elegância e categoria (ele escondia a bola), a defesa compacta
não deixava o adversário ao menos chegar na área para as finalizações e
eles ficaram restritos a uma única chance de gol, através de bola parada,
que Rivelino pudesse converter em gol. E a chance deles surgiu em uma
falta perto da grande área alviverde. O estádio silenciou-se e nós tememos
o pior, Rivelino correu para a bola, soltou o canhão e o Deus da Raça Dudu
colocou-se a frente da bola e recebeu a “bomba” no peito e caiu quase
desmaiado. Estávamos salvo. O Palmeiras não era um time goleador e sempre
ganhávamos por um placar pequeno para os dias de hoje, com certeza pela
categoria dos adversários da época, que também tinham verdadeiros
esquadrões. Termina o primeiro tempo e o nosso time joga o mesmo futebol
de sempre, ficando com o domínio da bola muito mais que o adversário,
alguns lances perigosos de lado a lado, mas as chances de gol foram poucas
e agora surge a nossa. Jair Gonçalves (o titular era Eurico) desce pela
lateral direita e cruza para o exímio cabeceador Leivinha que sobe mais
que o gigante Brito e escora para Ronaldo que poderia ser considerado
tanto titular quanto o matador César Maluco, finalizar. Goool. Os meus
olhos quase não enxergam o gramado de tanta emoção, e quando a nossa
torcida parou de gritar podíamos ouvir
o
apito do juiz, tamanho era o silencio que o estádio se transformou. Fim de
jogo, o Corinthians amargava a fila de 20 anos sem título do Paulistão,
que até então era o único título que eles conheciam. Ao contrário, nós
Palestrinos, estávamos acostumados a ganhar o Brasileiro, no ano anterior
já estávamos com seis títulos nacionais, sem falar que já tínhamos até
representado a Seleção Nacional com o nosso time completo na festa de
inauguração do Mineirão. E para finalizar já éramos Campeões do Mundo em
1951. Sim, o Brasil havia perdido a Copa dentro do Maracanã e fizeram um
Campeonato com os maiores esquadrões do Mundo. Do Brasil, Palmeiras e
Vasco (que tinha sido a base da seleção de 1950). Todos queriam ver o
Vasco vingar a Copa do Mundo perdida no ano anterior, mas o que viram foi
o Campeão do Século levar mais uma Taça para a sua galeria, assim como a
do Paulistão de 1974. Como era bom ser feliz, como era bom ser
Palmeirense, como era bom ser Campeão, como era boa a Academia de Futebol
que amedrontava qualquer inimigo. Tínhamos o melhor técnico do mundo, o
“Velho Mestre Osvaldo Brandão”, tínhamos um dos melhores esquadrões do
mundo, que ainda venceu três vezes um torneio chamado Ramon de Carranza
que na época era muito melhor que o simples amistoso em Tókio para
promover uma marca de automóvel. Nós tínhamos homens sérios, que se valiam
da honestidade e do amor para dirigir a nossa Academia. O tempo passou e
eu passei cada vez mais a ser palmeirense, mas não mais com a felicidade
de outrora. Hoje, nós amamos muito mais o nosso time do que os que o
dirigem. Oxalá apareça alguém da qualidade dos nossos saudosos Paschoal
Walter Bylon Giuliano, Delfino Facchina e
Arnaldo
Tirone, talvez eu faça alguma injustiça esquecendo algum dirigente
palestrino do passado. Todavia não consigo hoje enxergar as mínimas razões
para compará-los aos dirigentes que há 13 anos habitam o nosso Palestra
Itália. Os homens de respeito, de caráter honesto são raros em nosso país,
por isso a tristeza e a pobreza tomaram conta do nosso enorme Brasil,
envergonhados que somos hoje um povo sem as pessoas de bem para comandarem
o nosso futebol e muito menos a nossa pátria.
Saudações
Palestrinas de um eterno apaixonado pelo Verde.
Palestrino45 - 03/2006 |