O Palmeiras é Eterno

Há certas coisas na vida que são eternas.

O amor verdadeiro é eterno.

A amizade sincera é eterna.

A paixão por um clube é eterna.

O Palmeiras é eterno.

Engana-se quem acha que o Palmeiras morreu.

O Palmeiras, quando nasceu há 88 anos, já tinha vocação para a eternidade.

Para o palestrino, o Palmeiras é o próprio elixir da vida.

O verde do Palmeiras é pura fotossíntese, é radiação de energia que move uma legião de torcedores.

O verde do Palmeiras é a clorofila indispensável para dar vida a essa química de amor entre a torcida e o clube.

O Palmeiras, é verdade, não tem a maior torcida do Brasil, não é a mais vibrante nem tampouco a mais simpática.

Mas o amor do palmeirense pelo clube, esse, sem dúvida, é o mais intenso que um time pode ter.

Ah, mas e as torcidas de Corinthians, Flamengo, São Paulo, Vasco, Galo, Grêmio, Bahia ?

Ora, essas também são maravilhosas, com seus gritos, suas coreografias, seus hinos e fanatismo.

O torcedor do Palmeiras, no entanto, é único.

Ele sente pelo Palmeiras uma espécie de amor doentio, paranóico, possessivo, algo muita além das quatro paredes, ou melhor, quatro linhas....

O torcedor do Palmeiras é como aquele marido ciumento capaz de tudo.

Contrariado, arregala os olhos esbugalhados, dispara a voz rouca, xinga e ameaça cometer barbaridades indescritíveis.

No entanto, nunca abandona o barco, ao contrário, quando vê o amor de joelhos é o primeiro a estender a mão para reerguê-lo.

No seu amor cego, o torcedor do Palmeiras é movido quase que exclusivamente pelo instinto.

Não à toa, uma parcela da torcida do Verdão, para salvar o time da segundona, até admite a virada de mesa.

O Palmeiras é grande demais, o Palmeiras tem muita tradição, o Palmeiras confunde-se com a própria história do futebol.

É dentro dessa lógica apaixonada e dos laços quase de sangue que unem a torcida e o Palmeiras, que há se entender a súplica dos palestrinos.

Todas as derrotas são dolorosas, umas mais do que as outras.

O choro de um homem, diante do fracasso do time do coração, é algo comovente.

Os estádios estão cheios de torcedores que se esbugalham em lágrimas quando um time é eliminado, perde um título, ou pior.... é rebaixado.

Quem já não presenciou um torcedor tapando o rosto em meio a soluços incontroláveis?

Quem nunca viu um torcedor ajoelhar na arquibancada, e, em transe, debruçar a cabeça no concreto ?

São cenas comuns a corintianos, são-paulinos, santistas, flamenguistas, colorados, cruzeirenses e tantos outros.

Há um retrato, no entanto, que só poderia ser protagonizado por um palmeirense.

Ao assistir a derrota do Palmeiras na final do Mundial Interclubes em 99, um palmeirense vestia um terno impecável.

Consolidada a vitória do Manchester por 1 a 0, o homenzarrão puxou a gravata e a usou como toalha tentando enxugar as lágrimas incessantes.

Tal dramaticidade não se vê nem mesmo na ópera La Bohème, de Giacomo Puccini.

Outro torcedor, teve a mais espantosa das reações diante do rebaixamento do Palmeiras.

Adotou um silêncio sepulcral, como se estivesse revestido por uma blindagem auditiva.

Foi alvo de todas as provocações, fizeram-lhe todas as pilhérias, foi vítima de risos cheios de dentes.

Mas nada....., não disse uma única palavra, permaneceu absorto, como se estivesse empalhado numa sala de troféus.

Agora que o Palmeiras caiu para a segunda divisão, era de se imaginar que a torcida também fosse para o buraco - escondendo-se como um avestruz.

Mas não, o palmeirense renovou seu amor pelo clube e mais do que nunca promete apoio irrestrito.

Para o torcedor do Palmeiras, não existe fronteira capaz de separá-lo do time - nem mesmo a segunda divisão.


Autor: Rádio Jovem Pan

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