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Há
10 anos
Há
10 anos, os olhos de toda a nação palmeirense brilhavam de emoção, a
maioria turvos por lágrimas que esguichavam como chafariz.
No dia 12 de junho de 1993, o Palmeiras cicatrizava de vez uma ferida no
órgão vital do torcedor.
O coração alviverde estraçalhado por um jejum de 17 anos sem títulos
bateu como nunca há uma década.
O divórcio amargo do Palmeiras com os títulos foi tão penoso quanto
uma separação litigiosa.
Brigas, xingos, revolta, guerra de nervos, ameaças, chantagem, provocações,
choro, muito choro...
Foram 17 anos de sofrimento carregando dentro do peito um coração
destroçado pela dor.
E quis o destino que o coração do palmeirense reencontrasse a paixão
exatamente no Dia dos Namorados.
12 de junho de 1993, Morumbi. Final do campeonato paulista. Palmeiras x
Corinthians. Público pagante: 104.401.
O Corinthians tinha vencido o primeiro jogo da final com um gol de
Viola, que comemorou imitando um porco.
O Timão jogava por um simples empate.
Mas, no Dia dos Namorados, naquele 12 de junho de 1993, a flecha do
cupido mirou apenas no coração que palpitava em verde e branco.
O anjo do amor disparou 3 flechadas que atingiram o coração de Zinho,
Evair e Edílson.
Enquanto as flechas da paixão arrebatavam o peito dos jogadores do
Palmeiras, a bola estufava a rede do Corinthians.
Nos 90 minutos, 3 a 0 para o Palmeiras.
Mas ainda faltava a prorrogação e, nos 30 minutos finais, segundo o
regulamento, a vantagem do empate era do Palestra.
Como num filme de amor, aquele Dia dos Namorados no Morumbi acabou em um
"Grand Final".
Depois de 17 anos, o empate na prorrogação, mesmo dando o título ao
Palmeiras, era pouco.
No cinema todo romance com final feliz acaba com um beijo apaixonado.
E foi o xodó da torcida palmeirense, Evair, quem levou a bola aos braços
da rede corintiana.
Nas arquibancadas do Morumbi, milhares de beijos palmeirenses eram lançados
ao campo.
Naquele 12 de junho de 1993, o Morumbi viveu a sua maior e mais romântica
noite de amor entre um time e uma torcida.
A lua-de-mel durou muitos anos levando o Palmeiras a conquistar na seqüência
o bicampeonato paulista e o bibrasileiro.
Em 1996, outro título do campeonato paulista, com um super time que
marcou 102 gols.
Em 1998, o Palmeiras conquistou a Copa Mercosul e a Copa do Brasil.
Em 1999, o casamento da torcida viveu o seu melhor momento, culminando
com a conquista da Libertadores.
Os dois últimos títulos do Palmeiras foram em 2000, o Torneio Rio-São
Paulo e a Copa dos Campeões.
Mas, como quase todo casamento, um dia a crise voltou a dar as caras e
desta vez foi devastadora.
Em 2002, depois de uma campanha sofrível, o Palmeiras foi rebaixado
para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro.
Passados 10 anos daquele inesquecível título que tirou o Palmeiras de
uma fila de 17 anos, o palmeirense continua apaixonado.
Hoje, 12 de junho de 2003, Dia dos Namorados, a torcida palestrina tem
um presente para o time do coração.
Um presente que não saiu da conta bancária, do cheque ou do cartão de
crédito.
Saiu da alma, do fundo do coração...
Palmeiras, eu te amo!!!
(12 de Junho de 2003)
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