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Morremos Líderes, Nascemos Campeões
Esta a frase de um velho torcedor palestrino. Dos anos trinta, dos anos
quarenta. Daqueles que viram o PALESTRA ITÁLIA conquistar em 1920 seu primeiro
título de Campeão Paulista num desempate sensacional com o Paulistano,
campeoníssimo da fase do amadorismo.
E o Palestra seguiu cheio de glórias e títulos, títulos e glórias que mais
se avolumaram na década de trinta, quando as coroas eram poucas para fixar seus
feitos.
Os anos quarenta surgiram, no entanto, com um problema sério para sua
coletividade. A Segunda Grande Guerra encontrou a Itália formando o chamado
eixo com a Alemanha na luta contra os Aliados, entre os quais estava o Brasil. O
PALESTRA ITÁLIA era um clube da colônia italiana. Colônia a quem muito deve
São Paulo e o Brasil pelo seu progresso. Vieram as perseguições. A troca de
nome em abril de 1942 pra PALESTRA DE SÃO PAULO. Não era bastante. os inimigos
gratuitos do Parque Antártica continuavam agindo. E a despeito de um
pronunciamento judicioso e brilhante do ministro João Lyra Filho, o PALESTRA
teve que deixar de ser PALESTRA para se transformar em SOCIEDADE ESPORTIVA
PALMEIRAS.
A troca de nome foi lacrada numa assembléia emocionante e agitada numa
madrugada de sexta-feira para sábado. No domingo imediato o clube ia decidir o
título de campeão contra o seu co-irmão de lutas - o São Paulo F. C. O mesmo
São Paulo a quem o Palestra e sua gente ajudara com contribuições nos seus
momentos mais difíceis dos anos trinta. O mesmo São Paulo que no ano seguinte
- 1943 - seria campeão invicto de São Paulo.
Mas estava escrito. E como disse o velho torcedor palestrino:
"MORREMOS
LÍDERES, NASCEMOS CAMPEÕES..."
O PALESTRA ITÁLIA - pela primeira vez em sua história cheia de conquistas
entrou em campo com o novo uniforme. O uniforme da SE PALMEIRAS de hoje. Tendo
à sua frente o General - hoje general Adalberto Mendes.
E depois de noventa minutos - noventa minutos não - apenas SESSENTA E CINCO
MINUTOS - porque, aos vinte minutos do segundo tempo, o São Paulo se negou a
continuar o jogo, o PALMEIRAS era campeão. Um bebê campeão. recém nascido.
Predestinado. Como seu velho pai.
A partida foi interrompida ais 20 minutos do período quando o árbitro Jaime
Janeiro Rodrigues assinalou um penal de Virgílio, que a seguir, foi expulso. O
São Paulo não aceitou nem a penalidade, e muito menos a expulsão. Sentou
em campo.
O placar era 3 a 1 - com gols de CLÁUDIO aos 9 minutos; VALDEMAR aos 26
empatando e VIRGÍLIO (contra) aos 38 minutos fazendo 2 a 1 para o Palmeiras no
primeiro tempo. Na fase final, aos 14 minutos, ECHEVARRIETA fez 3 a 1. E aos 20
minutos houve o penal de Virgílio e o jogo paralisado.
A renda foi de Cr$ 231 contos e 239 mil réis ao dinheiro da época. Os dois
times formaram assim:
PALMEIRAS/PALESTRA
(campeão) - Oberdan; Junqueira (cap) e Begliomini; Zezé Procópio, Og Moreira
e Del Nero; Cláudio, Waldemar Fiume, Echevarrieta, Villadoniga e Lima.
São Paulo - Doutor, Piolin e Virgílio; Lola, Noronha e Silva; Luizinho (cap),
Waldemar de Brito, Leônidas, Remo e Pardal.
Este um capítulo da história do futebol paulista e histórico na vida do
PALMEIRAS.
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