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Só que o Marcos não é um goleiro qualquer. Os de boa memória, ou que têm fascínio pela posição (meu caso), ainda carregam na memória o quanto o Marcos foi importante na conquista da Copa do Mundo de 2002. Fosse europeu e seria eleito o melhor goleiro do Mundial. Naquela competição, ele foi infinitamente superior ao Oliver Khan, que, exceto pela decisão, mereceria nota 10. Recordo ainda do primeiro tempo daquela decisão com a Alemanha. Peguem o teipe e vocês observarão (só assim será possível lembrar) as defesas importantes feitas pelo Marcos. Claro que a conquista passou, especialmente, pela dupla Ronaldo, o Fenômeno, e Rivaldo. Jogaram muito naquele e em todos os outros jogos. Vejo o retorno do Marcos tratado com aquele jeito que olhamos para os goleiros. Tanto que a ausência nem sequer foi notada. Pena. Ali está um jogador diferente. Não pelo fato de entrar em campo com a pretensão de evitar o que mais o torcedor quer ver. Mas também pelo sujeito que o Marcos é. Sentiu o rebaixamento do Palmeiras de tal forma que nem sequer saiu de casa. Poucos são os jogadores capazes de tal comportamento. É muito fácil chorar na frente das câmeras, bater nas veias, beijar o escudo ou proclamar que naquele grupo só tem homens. E depois, longe do calor da torcida, dizer que está se lixando para o que vai acontecer. Com o Marcos acontece exatamente o contrário. Tem o vício da franqueza num meio que estimula a mentira e paga um preço alto por dizer o que pensa. Deveria ser exaltado e não criticado.
O
Marcos é assim. Saúdo a volta e reitero que ele está no meu rol de
expectativas do Campeonato Paulista. Prazer em revê-lo. |
Autor: Paulo César Vasconcellos, jornalista - Diário Lance! - 19/01/2005